Mussulo dos encantos e das necessidades

A Península do Mussulo é dos locais turísticos de Luanda mais procurados em tempos de
festas e nos feridos prolongados. No entanto, na região ainda faltam muitos serviços
básicos, como clamam os seus habitantes. O administrador local, Mário Sócrates Vigário
diz não estar de braços cruzados e tudo faz para inverter o quadro

Por:Miguel Kitari

Com uma extensão estimada em 30 quilómetros quadrados, a Ilha do Mussulo fica no município de Talatona e é dos locais mais conhecidos em termos de turismo em Luanda, dentro e fora das nossas fronteiras. No entanto, em alguns casos a sua fama contrasta com a vida dos cidadãos locais.

Ainda faltam escolas, centros médicos, água potável e transportes para que os seus habitantes se desloquem até a grande Luanda. Morador do Mussulo, Joaquim Miguel disse à nossa reportagem que “a vida está a normalizar. Já temos alguns postos médicos e algumas escolas que já estão a ajudar um pouco, apesar de não chegar para todos nós”, lamentou. Quanto ao transporte público, Joaquim Miguel não demora a responder. “

Enfrentamos muitas dificuldades”, disse, acrescentando que precisam igualmente de algumas lojas, pois, para comprarem um quilograma de açúcar, por exemplo, são obrigados a gastar acima de 2 ou 3 mil kwanzas, incluindo a travessia da península até Luanda. Ressalva que, existem apenas algumas cantinas de senegaleses e de malianos, onde não há tudo. “Isso obriga-nos a atravessar”, lamentou.

Na mesma senda, Joaquim Miguel solicita da Administração local a aquisição de ambulâncias para casos de imergência. Nem tudo vai mal. Por exemplo, Victorino Mário estava no posto de identificação e reconheceu que “estão a ser eficientes. As cédulas são dadas no mesmo dia. O acento de nascimento demora dois dias. Com dois filhos no sistema de ensinoo primeiro tem dez anos e frequenta a 3ª classe, e o segundo está a estudar a 2ªclasse, Victorino Mário afirma que não há condições nas escolas. “Não há merenda escolar.

Os professores atravessam com o seu próprio dinheiro. É por isso que faltam muito. Precisa-se melhorar muita coisa”, defendeu. A Saúde é outro problema. Para ele, a situação é gritante. Explica que não há medicamentos, não há testes. Mas não é tudo. O transporte é descrito por Victorino Mário como outro problema da circunscrição. “Quer os moradores, quer os professores enfrentam os mesmos problemas. Cada travessia custa 500 kwanzas. É muito complicado”, considera. Desempregado, o nosso interlocutor disse que faz negócio de venda de feijão.

“As coisas no Mussulo são caras. O quilo de feijão, por exemplo, custa 800 e o de fuba 500 kwanzas. Eu vendo o de feijão a 500 e o de fuba a 250”, explicou. Água e luz, outras necessidades Na nossa ronda, encontramos Beatriz António, cidadã que tem um pedido a fazer à Administração do Mussulo. “Queremos água e luz. Não conseguimos conservar os produtos perecíveis por falta de condições”, lamentou. Diz esperar que, tal como foi resolvido o problema da aquisição do Bilhete de Identidade, se faça o mesmo com o fornecimento de água e da energia eléctrica.

O desemprego é outro problema que preocupa esta antiga trabalhadora informal do sector das pescas, que agora vive de ajuda para alimentar os filhos. Tal como outros entrevistados, dona Beatriz é igualmente de opinião que a saúde merece mais atenção. “Aqui, se a pessoa tem uma doença, o melhor é apanhar um barco para ir para o outro lado, senão, morre mesmo. Temos apenas um posto médico. Eles até já estão a trabalhar bem, mas não têm medicamentos”, ressalvou.

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