Parar de fingir

A doutora Ana Graça acaba de anunciar a entrada em funcionamento da Casa Dia, na Lunda- Norte, um centro para tratamento e acompanhamento de toxico-dependentes. E disse que a ideia é espalhar pelo país centros destes, do Instituto Nacional de Luta contra as Drogas, que ela dirige. Outras iniciativas seriam bem-vindas, de certeza, das igrejas, fundamentalmente, que noutros países têm um papel importante na recuperação de “apanhados” pelas drogas. Mas que o trabalho não seja em troca da conversão para a sua religião e muito menos para o saque de dinheiro, infelizmente já cultural para algumas denominações religiosas. O toxico-dependente, antes de tudo, deve ser visto como um ser humano necessitado de ajuda. Há que salvá- lo da dependência química em primeiro lugar, os outros caminhos, da fé, por exemplo, deverá fazê-lo em plena consciência. Neste caso, não há como fugir a dar uma palavra ao Governo e, já que em Angola é assim por força da Constituição, ao Presidente João Lourenço, se o projecto for para ser levado até ao fim. Isto significa o reconhecimento há muito reclamado do gravíssimo problema das drogas em Angola, de todos os tipos. Das recargas de álcool aos chutos de cocaína, desde os bairros pobres aos mais abastados. É bom que se pare de fi ngir que nada disso existe. E quando estes centros estiverem a funcionar em pleno, então o país se dará conta do tamanho do monstro e também dos prejuízos que causa

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