Rui Ferreira não resiste à pressão e abandona Tribunal Supremo

O juiz presidente do Tribunal Supremo, Rui Ferreira, solicitou ontem, Quinta-feira, 3, a sua demissão da presidência do órgão, segundo uma carta assinada pelo próprio

 

De acordo com a nota, o juiz informa “aos colegas e às pessoas de bem que me são próximas que apresentei hoje às entidades competentes a minha renúncia (demissão) do cargo de Juiz Presidente do Tribunal Supremo e de Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, apesar de ainda faltarem mais de 5 anos para terminar o mandato”.

O juiz demissionário esclarece que tomou esta decisão porque tem estado sujeito, nos últimos meses, à “pressão de uma campanha intensa e cruel de mentiras, deturpação de factos, intrigas, calúnias e insultos que, além de lesarem a minha reputação e dignidade, têm prejudicado a minha saúde e imposto à minha família um sacrifício que não devemos mais suportar”. Nos últimos tempos, Rui Ferreira tem sido associado a negócios pouco claros, como o conhecido caso Arosfran, em que dois antigos sócios da empresa, nomeadamente os empresários Kito Dias dos Santos e Artur de Almeida, o acusam de se ter apoderado da empresa quando era o seu advogado.

Um dos filhos de Rui Ferreira é apresentado como sendo o suposto representante do pai num negócio com o filho do empresário Kassin Taejidin, que actualmente se encontra preso nos Estados Unidos da América, acusado de financiamento ao terrorismo por intermédio do grupo libanês Hezbollah. Numa conferência de imprensa realizada em Luanda, Kito e Artur fizeram sérias acusações ao então presidente do Tribunal Supremo pela forma pouco clara, segundo eles, como se fez a transferência de activos da Arosfran para a nova empresa em que um dos sócios será o seu filho.

“Apesar de tanta solidariedade que sempre tive, não tenho mais condições e motivação para continuar”, escreveu, acrescentando: “perdoem-me se vos decepciono com este desistência, mas a saúde, a família, a honra, a dignidade e a paz estão antes do exercício de funções públicas em circunstâncias de tanta adversidade e excessivo esforço”. Rui Ferreira, que promete dedicar- se à Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, solicita aos seus antigos colaboradores que “não deixem esmorecer nem voltar para as gavetas a reforma judiciária que vínhamos dinamizando com o apoio e entusiasmo de todos os magistrados judiciais, oficiais de justiça, administrações municipais e governos provinciais. Sem ela não chegaremos ao Estado de Direito de que fala a Constituição”.

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