Reino Unido: Estudantes internacionais terão mais tempo para procurar por emprego depois de se graduarem em universidades britânicas

O ano lectivo nas universidades britânicas, iniciado recentemente, começou com “boas novas” para os estudantes internacionais após o anúncio de uma alteração nas regras de atribuição de vistos para estudantes, que irá permitir que os mesmos permaneçam, legalmente, por mais dois anos no Reino Unido (RU), após concluírem a sua formação académica superior

Por: Israel Campos, Londres

A novidade anunciada pelo Governo britânico, uma semana antes do arranque das aulas em algumas universidades do país, veio acabar com o actual quadro – que somente permite que os estudantes internacionais estejam no país por quatro meses após a conclusão dos seus estudos – o que já levou muitos estudantes a serem “forçados” a abandonar o país, mesmo quando pretendiam arranjar emprego ou permanecer no por outras razões.

Esta decisão do Governo de Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, vem dar fim a uma medida implementada pela sua antecessora, Theresa May, que, em 2012, enquanto secretária de Estado para Assuntos Internos, decidiu acabar com a regra que já na altura permitia que estudantes estrangeiros permanecessem no país por mais dois anos depois dos seus estudos, suportando tal decisão apontando para a medida como sendo “generosa demais” para com os estudantes internacionais.

Estudantes angolanos reagem

O anúncio desta alteração suscitou um elevado número de reacções. No Twitter um grande debate foi instalado após a informação ter começado a circular há 2 semanas. O facto de que a medida só entrará em vigor no próximo ano, ou seja, somente beneficiará os estudantes que se irão inscrever nas universidades para o ano lectivo de 2020/2021, fez com que muitos estudantes, já nas universidades, manifestassem algum descontentamento.

Descontentamento esse que levou, inclusive, à criação de uma petição online, por parte de um estudante internacional, de nome Kolimi Reddy, de nacionalidade não identificada, que solicita ao Governo britânico que a alteração abranja todos os estudantes actualmente no Reino Unido e não só, como previsto, aqueles que iniciarem os seus estudos no próximo ano. Até ao momento, a petição já tem 16,942 assinantes.

Os estudantes angolanos nas universidades britânicas não estão indiferentes ao assunto. Edmilson Angelo, 26 anos, vive no Reino Unido há 5 anos. É licenciado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Universidade de Westminster e tem o mestrado em Estudos Africanos pela Universidade de Oxford.

Actualmente a trabalhar como docente universitário e a liderar a sua organização não-governamental, a “Change 1’s Life”, o jovem angolano entende a permissão de estadia por mais dois anos, concedida pelo Governo, como “um acto político que visa minimizar a imagem negativa do Reino Unido a nível nacional e internacional, de um país racista, anti-imigração e prestes a se isolar do mundo”. Edmilson questiona ainda a medida apontando o alto nível de competitividade no mercado de trabalho no Reino Unido como sendo um potencial “problema”.

“Os estudantes internacionais estão sempre em desvantagem, não apenas por estarem a competir com nacionais e europeus, mas, acima de tudo, porque a lei do trabalho para estudantes internacionais no Reino Unido é extremamente dura”. Em conclusão, o director-geral da “Change 1’s Life” acredita que se a real intenção desta concessão fosse, de facto, facilitar a adesão de estudantes internacionais ao mercado de trabalho britânico, “o Governo haveria de alterar, de imediato, a actual lei do trabalho para estudantes internacionais”. Ludy Sebastião, 22 anos, é licenciada em Geologia pela Universidade de Birmingham.

Reside no Reino Unido há cerca de 4 anos, começou, há pouco tempo, o seu mestrado em Gestão de Óleo e Gás em Coventry. Ludy dissenos que apesar de tal medida ser uma notícia “extremamente boa”, ela não está de todo feliz por duas razões. Primeiro, porque estudantes como ela, já inseridos nas universidades, não serão abrangidos pelos efeitos da medida, e, segundo, porque a medida não se faz acompanhar de garantias de emprego para os estudantes abrangidos.

“Seria essencial que o Governo implementasse políticas que fizessem com que as empresas nacionais fossem obrigadas a empregar um certo número de estudantes internacionais”. A jovem angolana vê, contudo, nesta medida, uma grande oportunidade para os licenciados internacionais ganharem experiência de trabalho no Reino Unido, o que “os tornará mais capacitados para quando estiverem de regresso aos seus países de origem”. Por fim, Ludy acredita que é preciso que se conheçam os critérios que serão utilizados para a aplicação desta medida, uma vez que o Governo já deixou bem claro que só serão agraciados os “melhores dos melhores”.

Impacto na economia

De acordo com informação publicada no website oficial do Governo Britânico, em Janeiro do ano corrente, estudantes internacionais valem qualquer coisa como 20 biliões de libras, anuais, para a economia britânica, com o acesso ao ensino superior, cursos para aprendizado da língua inglesa, dentre outros serviços relacionados a educação. Em 2018 as universidades do Reino Unido receberam cerca de 460,000 estudantes internacionais, isto, sem incluir os estudantes provenientes de países membros da União Europeia, com base nas estatísticas publicadas pelo “UK Higher Education” recentemente. Ainda segundo estas estatísticas, a Nigéria é o único país africano que faz parte da lista dos dez países não europeus que mais enviam estudantes para o Reino Unido. A China é o primeiro país desta lista, seguindo- se a Índia

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