Centro de Hidrocefalia do Kifica recebe dez milhões de Kwanzas para cirurgias

Centro Neurocirúrgico e de Tratamento da Hidrocefalia (CNCTH), no Kifica, em Luanda, que atende mais de 70 pacientes por dia, recebeu, ontem, uma doação do Banco BFA, no valor de dez milhões de Kwanzas que servem para custear as cirurgias feitas naquela instituição às crianças que padecem daquela doença

Com o objectivo de melhorar as condições de saúde de crianças de estractos sociais desfavorecidos que sofrem de hidrocefalia, a instituição financeira em questão está a desenvolver um programa que visa oferecer intervenções cirúrgicas de acordo com uma avaliação médica previamente realizada. Ontem, no bairro Kifica, onde fica o CNCTH, no município de Belas, foram entregues um total de dez milhões de Kwanzas para ajudar as crianças que são submetidas a este tipo de cirurgias.

Há muito que o centro neurocirúrgico tem vindo a clamar por ajuda, já que se debate com a escassez de material de grande porte que usam para as intervenções cirúrgicas. Mesmo sem condições, e apesar de não receberem de muitas mães qualquer comparticipação financeira, solidarizam- se com estas e os pacientes que todos os dias solicitam a intervenção cirúrgica. Assim, com a acção do BFA, ontem, seis, de um total de cinquenta crianças portadoras de hidrocefalia, foram contempladas pela campanha de cirurgias gratuitas e operadas.

O programa, a custo zero, com duração de três meses, foi lançado naquele centro de referência e será extensivo às demais províncias, sendo o Moxico a próxima a beneficiar da campanha para 15 crianças já identificadas. Depois segue-se o Cunene, com 11, Namibe, com três, Luanda, com 47, e outras a serem identificadas em outras regiões. Para uma cirurgia, cada paciente participa com um valor mínimo de 150 mil Kwanzas, mas nem todas as famílias conseguem pagar esta quantia.

Por isso, a direção do centro almeja que as cirurgias sejam gratuitas. O centro depende da ajuda de algumas instituições e pessoas singulares que, às vezes, financiam a cirurgia de uma criança vítima de hidrocefalia. Com este programa da instituição financeira ora referida, espera- se, nestes três meses de cirurgia gratuita melhorar a qualidade de saúde materno-infantil; aliviar a pressão sócio-financeira das famílias, promover a estabilidade social e reduzir o índice de pobreza a nível do país.

Para o director do centro, Mayada Inocente, é gratificante este tipo de ajuda, pois o centro tem sofrido com o peso da demanda aos seus serviços e a incapacidade de responder a todas. A sua instituição conta com três médicos fixos e um número considerável de voluntários especializados provenientes de outros hospitais que se predispõem a atender à causa. “Estamos preparados para realizar mais do que o número estimado, que são inicialmente de 50 crianças, números que poderão aumentar devido ao impacto que a divulgação do projecto terá nos próximos dias, receando que a procura ultrapasse a capacidade das 70 válvulas disponíveis no centro”, disse, em entrevista à imprensa.

O Centro Neurocirúrgico e de Tratamento da Hidrocefalia (CNCTH), desde a sua existência, já realizou mais de 5000 cirurgias. É o maior centro de tratamento de Hidrocefalia em Angola e 99% dos casos são tratados na instituição. Calcula-se que, anualmente, entre cinco e dez mil crianças apresentam esta patologia. O Ministério da Saúde tem levado a cabo várias acções para minimizar o impacto desta e outras patologias neurocirúrgicas, com maior incidência na realização dos diagnósticos precoce e tratamento oportuno, segundo a coordenadora nacional dos Hospitais, Engrácia Mouzinho, que falava também no acto de lançamento do programa solidário de apoio o centro em referência. Através do concurso público eletrônico, em parceria com o serviço nacional de contratação pública para compras agrupadas, o MINSA adquiriu aparelhos e kits neurocirúrgicos, como válvulas e outros dispositivos médicos.

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