Ricardo Lemvo ‘evoca’ ancestrais em show intimista no Palanca

A exaltação dos fundadores do Reino do Kongo, com destaque para Nimi a Lukeni e outros ancestrais, como forma de os homenagear. Foi assim que o músico angolano, Ricardo Lemvo radicado em Los Angeles (Estados Unidos da América), deu início ao seu concerto intimista

Jorge Fernandes

Inserido no projecto de valorização da música angolana, o músico Ricardo Lemvo animou na noite de Sexta-feira, num concerto intimista, realizado no espaço Palanca VIP, no bairro com mesmo nome em Luanda, em que homenageou os fundadores do Reino do Kongo.

Com suporte da banda FM da província de Benguela, com Francisco Clássico, Dumilde e Padre (Guitarras), Elizandro e Dumilde (Pianos), Mantonas (Percussão), Mona Internacional (Bateria), Fredy e Alexandra (Coros), Ricardo Lemvo “viajou” pelos seus melhores sucessos. Temas como “Dança Makezu”, “Ay Valeria”, “Tata Massamba”, “Yiri Yiri Bom”, “Ellbette”, “Dos Mulatas”, “Amame mamá”, “Habari Yako”, “Malambo” e tantos outros, nos estilos de Rumba, Kizomza e Salsa, marcaram a viagem musical do artista que, pela primeira vez, actuou num palco no Palanca.

A satisfação era imensa, quer do artista como do público, que entusiasticamente ovacionava, cantava e ao mesmo tempo tirava um “pé” de dança ao som dos ritmos contagiantes do artista, fazendo reviver tempos áureos da música angolana.

Outros momentos

Além da actuação do cartaz do dia (Ricardo Lemvo), a noite foi tomada por outros momentos musicais, assinalados com um dueto com o músico convidado Milagre Makonda, bem como com a animação da banda FM, a acompanhar as vozes de Alexandra e Fredy, num passeio por alguns sucessos do cancioneiro popular angolano e internacional. “Kakinheto” de Robertinho, “Paulina” de Justino Handanga, uma viagem a Cabo-Verde pelos Tabanka Jazz e pelas Antilhas pela banda mais popular do Zouk (Kassav), preencheram os momentos de intervalo enquanto o protagonista revigorava as suas cordas vocais.

Organização

A organização do evento considerou o evento positivo, pelo que vai continuar a apostar na música angolana de raiz, pois insere-se num projecto de preservação, divulgação e valorização deste acervo imaterial que junta a combinação de vários ritmos e sons.

“Recentemente, trouxemos à baila o debate e um concerto de Rumba Congolesa, em que foram recordados exímios fazedores deste género musical, desde Matadidi, Mblia Bel, Papy Tex e outros, no sentido de reviver e reacender aquilo que nos caracteriza enquanto africanos”, salientou o membro da organização, Gabriel Veloso.

Questionado em relação à próxima atracção musical, o promotor fez saber que o espaço não segue uma agenda periódica de nomes a surgir, mas lembrou que a aposta está virada para música ao vivo de qualidade e que seja memorável.

De salientar que Ricardo Lemvo conta com oito álbuns publicados, entre eles Tata Massamba, Mambo Yo yo, São Salvador, Ay Valeria, Isabela, Retrospectiva, Lá Rumba So Yo, este último publicado em 2014 e esteve à venda à margem deste concerto intimista.

 

 

 

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