Salas superlotadas motivam Caála a reactivar o curso nocturno

Há dois anos os responsáveis do ensino dessa municipalidade foram obrigados a encerrar o turno “pós-laboral” devido à delinquência. A medida forçou a superlotação das salas de escolas que absorveram os alunos saídos das instituições fechadas. Agora a solução é vista ao contrário, na reactivação das aulas nocturnas

Por:Alberto Bambi

O director municipal da Educação da Caála, província do Huambo, Albano Simão Urbano, revelou a OPAÍS o desejo de se recuperar o curso nocturno nas escolas secundárias do I Ciclo Comandante Pedalé, número 25 e na do II Ciclo, Liceu do bairro Calilongue, devido à superlotação das salas que se regista nas escolas dos mesmos níveis que absorveram os alunos das que foram fechadas.

“Primeiro é preciso explicar que o primeiro estabelecimento de ensino citado está localizado mesmo na sede do município, mas, devido à insegurança dos alunos no trajecto casa-escola e vice-versa, as entidades superiores da histórica Vila Robert William decidiram encerrar temporariamente a instituição, sob pretexto de se arranjar um aparato de segurança para garantir a tranquilidade no sítio e no percurso mais frequentado pelos estudantes da mesma”, aclarou o director da Educação, tendo realçado que a garantia do Executivo da corporação locais não é efectiva há mais de dois anos.

Albano Urbano contou que a deslocação dos alunos era sempre obstruída de forma muito agressiva pelos meliantes, ao ponto de estes perpetrarem investidas que terminavam em assaltos à mão armada que resultavam, rapidamente, em expropriação dos haveres dos alunos, violações das meninas e, por uma ocasião, na morte de dois estudantes. “Por isso, foi compreensível a alternativa encontrada na altura, por conta daqueles que decidem a vida no município.

Entretanto, estávamos à espera do surgimento da derradeira solução, a favor dos agentes de ensino e outros munícipes, pois a desistência em definitivo das requeridas aulas no referido período, poderá dar aso aos delinquentes que, certamente, procurarão outras formas de actuação. Aliás, o entrevistado recordou que, durante a época crítica, os assaltos não ocorriam apenas de noite, porquanto, segundo o próprio, não foram poucas as vezes em que os alunos ficaram sem as suas roupas e pastas e mochilas. “O que não gostaria de ver a acontecer é que se encerrasse também as aulas diurnas só porque a Polícia ainda não dispõe de contingente à altura”, ironizou Albano Urbano, asseverando que, para tal, as autoridades do municípios, das quais admitiu fazer parte, deviam impor o seu poder, competência e autoridade, de modo a impedir um mal maior no futuro.

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