Colégios absorvem mais de um milhão de crianças

Um milhão e 550 mil estudantes de diferentes níveis de ensino estão matriculados no presente ano lectivo em cerca de dois mil colégios, revelou, a OPAÍS, o presidente da Associação Nacional do Ensino Particular (ANEP), António Pacavira

As crianças em idade escolar frequentam o ensino pré-escolar, primário e secundário em mil e 996 colégios, dos quais, mil e 715 estão sedeados em Luanda. O líder associativo declarou que, apesar do actual contexto económico ser sombrio para os empreendedores, o ritmo de crescimento de escolas privadas em cidades como Luanda não reduziu.

Este ano surgiram 115 novos colégios. Já nas demais províncias, o cenário foi de abrandamento. “A média de postos de trabalho criados nos últimos dois anos cifra-se na ordem de 1400, entre professores, vigilantes, motoristas, jardineiros e seguranças”, frisou. António Pacavira descreveu a relação existente entre a sua organização e o Ministério da Educação como sendo a possível, porém, não a desejada.

Uma vez que se estabelece com os directores nacionais e não a nível de quem decide. No seu ponto de vista, os pontos fracturantes dessa relação são, de momento, a falta de uma agenda de trabalho trimestral ou semestral entre o Ministério e os seus parceiros, no âmbito de uma parceria cooperativa. “Devo dizer de forma coerente e sincera que não se notam transformações e inovações no sistema de ensino.

Os problemas são recorrentes. Não existem problemas novos”, frisou, ao ser instado a fazer uma análise geral do sistema e se nota alguma melhoria na qualidade, eficácia e eficiência no sistema.

O presidente da ANEP disse que o sistema de ensino vigente parou no tempo e a qualidade continua a ser uma utopia. O rácio professor professor/ aluno cresceu em várias cidades, continuando a registar-se a construção de escolas para quatro a cinco mil alunos, quando deveria ser uma escola para dois mil no máximo.

Sublinhou que, apesar de se realizarem concursos públicos para admissão de novos professores, ainda existem escolas com falta de professores em algumas disciplinas. No entanto, reconheceu que existe vontade dos operadores do sistema, mas ressaltou que lhes faltam planos, estratégias e acções. “Em suma, temos de repensar a educação”, desabafou. Para António Pacavira, o Executivo não conseguirá cumprir a promessa de incluir 95 por cento das crianças em idade escolar no ensino primário por inexistência de uma carta escolar a nivel distrital, municipal e provincial, com excepção da província da Huíla. “Em todas as outras não existe um plano sustentado (carta escolar) que permite antever o número de escolas a ser construídas nos próximos cinco anos.

Deste modo, continuaremos a trabalhar de forma empírica e não científica”, declarou. Disse que o sector privado pode contribuir para a redução de crianças fora do sistema se o Estado decidir partilhar a expansão da rede escolar com o sector privado, criando linhas de financiamento para o sector privado.

Considerou que o cumprimento da promessa do Executivo baixar o rácio aluno/professor para 35 no ensino primário e 45 no ensino secundário, conforme consta no programa de Governo para o quinquénio 2017/2022, passa inevitavelmente pelo aumento da rede escolar em todo o país. “Sei que o Executivo criou um programa para a construção de cinco mil novas escolas até 2022.

Estamos a torcer para que isso se concretize. Será um grande ganho”, concluiu. Sobre as mediadas para atrair profissionais com o perfil científico, técnico e pedagógico, disse que passam em primeiro lugar pela valorização da profissão docente, tornando a profissão atractiva, desafiadora e inovadora.

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