Vaticano equaciona ordenar padres casados e dar mais funções às mulheres na Amazónia

O Papa Francisco pediu hoje aos bispos sul-americanos que falem com coragem durante a reunião sobre a Amazónia, onde a escassez de padres leva o Vaticano a equacionar ordenar homens casados e dar às mulheres novas funções.
 Vaticano equaciona ordenar padres casados e dar mais funções às mulheres na Amazónia
Os bispos estão reunidos com o objectivo de traçar novos caminhos para que a Igreja Católica consiga ministrar melhor as comunidades indígenas e cuidar da floresta tropical.
Em cima da mesa estão algumas propostas controversas tais como a hipótese de os anciãos casados poderem ser ordenados sacerdotes, uma mudança potencialmente revolucionária na tradição da igreja, dado que os padres católicos de rito romano fazem um voto de celibato.
A proposta tenta resolver o problema dos católicos indígenas que vivem em partes remotas da Amazónia onde chegam a passar meses sem ver um padre ou receber os sacramentos, o que ameaça o próprio futuro da igreja e sua missão secular de espalhar a fé na região.
Outra proposta pede que os bispos identifiquem novos “ministérios oficiais” para as mulheres, embora a ordenação sacerdotal para elas esteja fora de questão.
O cardeal Claudio Hummes, arcebispo aposentado de São Paulo e principal organizador do sínodo dos bispos, disse que a falta de padres levou a uma “quase total ausência da Eucaristia e de outros sacramentos essenciais para a vida cristã diária”.
“Será necessário definir novos caminhos para o futuro”, disse, considerando que a proposta de padres casados e ministérios para mulheres serem “questões centrais” que os bispos sinodais devem abordar.
Francisco abriu a reunião exaltando as culturas nativas e instando os bispos a respeitarem as suas histórias e tradições, à medida que descobrem maneiras de espalhar melhor a fé.
O primeiro Papa latino-americano da história denunciou a exploração dos padres indígenas, alertando para a sua marginalização e o facto de serem tratados como cidadãos de segunda classe por governos e empresas que extraem madeira, ouro e outros recursos naturais.
Francisco exortou os bispos a usar as três semanas para orar, ouvir, discernir e falar sem medo: “Fale com coragem”, disse.
Os críticos tradicionalistas de Francisco, incluindo alguns cardeais, classificaram as propostas no documento de trabalho do sínodo de “heréticas” e um convite a uma religião “pagã” que idolatra a natureza e não a Deus.
A essa crítica, Hummes denunciou o “tradicionalismo” católico que está preso no passado contra a verdadeira tradição da igreja, que sempre espera.
De acordo com a mensagem ambiental da reunião, os próprios organizadores do sínodo estão a tomar medidas para reduzir sua própria pegada de carbono.
(Lusa)
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