Cinco militantes da UNITA concorrem à sucessão de Samakuva

Alcides Sakala Simões, Abílio Kamalata Numa, Estêvão José Pedro Kachiungo, Raul Danda e Adalberto da Costa Júnior são os cinco militantes da UNITA que formalizaram as suas candidaturas ao cargo de presidente deste partido.

Dentre eles, os quatro primeiros formalizaram ontem, em Luanda, as suas candidaturas ao cargo, entregando a documentação nas mãos da Comissão de Mandatos do próximo congresso, juntando- se a Adalberto da Costa Júnior, que fê-lo na última Sextafeira.

Em declarações à imprensa, no final do acto, Alcides Sakala disse ser uma etapa necessária a sua intenção de concorrer à liderança do maior partido da Oposição em Angola, dada a sua trajectória de vida nesta força política.De acordo com a Angop, o objectivo, caso a sua candidatura seja aprovada e vença a eleição ao cargo, é consolidar o que foi feito e o que será feito no futuro. Para Abílio Kamalata Numa, o foco está na juventude, que, conforme disse, o ajudará a conquistar as eleições gerais de 2022 em Angola.

“Não ganhando as eleições de 2017, que era a vontade de todos da UNITA, inclusive do presidente Isaías Samakuva, as baterias estarão viradas para a vitória em 2022’’, disse. Enalteceu a decisão do actual presidente de não se recandidatar, depois de ter permanecido 16 anos na liderança, cargo assumido em 2003, após a morte de Jonas Savimbi, o fundador da organização.

Estêvão José Pedro Kachiungo, considerado persistente após ter sido derrotado nas últimas eleições por Isaías Samakuva, realçou estar convicto num triunfo, caso seja aprovado o seu processo. José Pedro Kachiungo reafirmou a sua pretensão de, durante o seu mandato, contribuir para uma UNITA unida.

“Foi uma experiência arrojada que tive, depois da derrota nas eleições anteriores. Este foi o motivo desta minha nova candidatura’’, precisou. O actual vice-presidente da UNITA, Raul Danda, disse que a sua experiência como segundo homem na liderança do partido lhe dá vantagens para assumir o cargo que será deixado em Novembro por Samakuva.

“Por norma, quem devia assumir, imediatamente, o cargo é o vice-presidente, mas como a democracia fala mais alto, vamos ao jogo para se encontrar o vencedor”, salientou. O militante Liberty Chiaca, secretário provincial do partido no Huambo, retirou a sua candidatura por considerar haver semelhança entre o seu programa e os dos seus oponentes.

A comissão de mandatos do conclave da UNITA é chefiada por Silvestre Gabriel Sami e recebeu a documentação no município de Viana, em Luanda. O XIII Congresso Ordinário, a realizar-se de 13 a 15 de Novembro, em Luanda, tem como lema “Patriotismo, Coesão e Cidadania’’.

Lukamba Gato esclarece desistência

Lukamba Gato esclarece desistência O histórico Paulo Lukamba Gato, um dos pré-candidatos anunciados, não entregou a sua candidatura e num longo texto publicado na sua página oficial na rede social facebook, esclareceu que exercerá apenas o seu dever de eleitor no Xlll Congresso Ordinário, a ter lugar de 13 a 15 de Novembro do ano em curso.

“Tomei, nesta data, 7 de Outubro de 2019, a decisão de apenas cumprir com o dever estatutário de eleitor activo, ideologicamente assumido, colocando-me desde já à inteira disposição do Partido para poder desempenhar qualquer papel que o momento actual exigir”, frisou. Declarou que durante os últimos três anos, com maior ênfase desde Dezembro de 2018, tem sido alvo de “genuínos, sinceros e vibrantes” encorajamentos provenientes de vários sectores do seu partido bem como da sociedade angolana em geral, com vista à sua recandidatura a presidente.

Para justificar as causas da sua desistência, fez uma incursão sobre a história do partido, começando pelo contributo prestado por Jonas Savimbi, fundador do partido. “Contribuiu qualitativamente para duas viragens fundamentais na história do nosso país, nomeadamente a Independência Nacional em 1975 e a institucionalização do Estado Democrático de Direito e Economia de livre empreendimento em 1992”.

Disse que com a morte de Jonas Savimbi e do então o vice-presidente do partido, António Dembo, a trajectória da UNITA, no quadro global da vida do país, colocou sobre “os nossos ombros e na nossa nossa consciência a imensa responsabilidade de dirigir” a agremiação no seu formato integral. Recordou que face ao inédito vazio estatutário tomou, “na nossa qualidade de secretário- geral, a decisão de criar uma Comissão de Gestão, como Órgão Executivo de transição, que granjeou a anuência de todos os quadrantes do partido.

Do qual, assumiu a coordenação, liderando o processo de paz em 2002, a “complexa reunificação” das diversas alas em que o partido estava quebrado e à sua normalização institucional, por via do IX Congresso Ordinário em Junho de 2003. “Com a assinatura formal do Memorando de Entendimento do Luena e o lX Congresso Ordinário, selámos o início de uma era de paz no país e um capítulo de estabilidade interna na UNITA que já dura há 17 anos, 6 meses e 3 dias”, frisou.

Sublinhou que por razões ancoradas nas suas mais profundas convicções ideológicas, conjugadas com as mais diversas e objectivas circunstâncias da vida do partido e do país candidatouse a presidente do partido em 2003 e 2015, nos lX e Xll Congressos Ordinários, respectivamente, porém, não pretende voltar a fazê-lo.

Dirigindo-se a pessoas que lhe manifestaram apoio, disse que nunca terá palavras capazes de exprimir, a todos e cada um, os agradecimentos por tamanha marca de confiança política. “Uma menção muito particular de apreço aos meus camaradas e correligionários que nas dezoito províncias se empenharam para que a nossa candidatura fosse uma realidade”, frisou.

 

 

 

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