Ngalanelã considera exéquias de Savimbi o ponto mais alto da presidência de Samakuva

Foi um funeral com honra, que superou um funeral de Estado, trazendo ao de cima a grande capacidade organizativa da UNITA, considera o político

Constantino Eduardo, em Benguela

O secretário provincial da UNITA em Benguela, Alberto Ngalanelã, considera que as exéquias de Jonas Savimbi, ex-líder da UNITA, realizadas em Junho, em Lopitanga, província do Bié, se afiguram como o ponto mais alto da presidência de Isaías Samakuva Falando em conferência de imprensa, ontem, à porta do XIII Congresso, sugere que o próximo líder seja congregador, como o foi o cessante e que não fuja às exigências da UNITA à luz do que estabelece a sua matriz política. Na perspectiva de Ngalanelã, Isaías Samakuva mostrou elevação política e patriótica, segundo sustenta, quando determinada corrente ideológica e conservadora do partido no poder, incapaz de se adaptar à dinâmica política no país, chegou ao ponto de “maltratar, desrespeitar os restos mortais do Doutor Savimbi”, no âmbito da consagração da memória do presidente- fundador.

Face à posição manifestada por Isaías Samakuva, o deputado elogiou o ainda líder do partido e considera que este quesito marcou, numa certa medida, a sua presidência, acescentando que Samakuva deixa o cadeirão máximo com o espírito de dever cumprido, porquanto conseguiu realizar as exéquias onde sempre quis que ocorressem. “A cerimónia mobilizou milhares de cidadãos angolanos e destacadas personalidades estrangeiras. Foi um funeral com honra que superou um funeral de Estado, trazendo ao de cima a grande capacidade organizativa da UNITA”, enaltece.

De acordo com Ngalanelã, no âmbito do XIII Congresso, em estão em estudo 21 teses para as quais os militantes, nesta altura, debitam contribuições que ressaltarão a hipótese de que o candidato que vencer as eleições primárias no partido não seja, necessariamente, o cabeça- de-lista para as gerais de 2022. “Há uma corrente, dentro do partido, que colocou isso como tese”, esclareceu em conferência de imprensa Terça-feira, 8, para vincar, obviamente, o ponto de “vista da maioria”, expressa em Novembro, em sede do XIII congresso. Segundo o responsável da UNITA em Benguela, que viu o se nome figurar numa lista de apoio a Alcides Sakala, há várias correntes no seio da organização política que divergem em relação à matéria em causa, mas as dúvidas serão dissipadas pelo Congresso, que deverá igualmente definir as estratégias do partido para as eleições autárquicas, em 2020, e as gerais, em 2022.

Seca no interior

Por outra, o secretário provincial da UNITA, Alberto Ngalanelã, desmentiu determinados segmentos do MPLA que acusam o partido de Samakuva de fazer aproveitamento político com a questão da seca nas províncias do Cunene, Cuando Cubango, Huíla e Benguela. Para Ngalanelã, a UNITA foi a primeira organização a levantar a questão da seca, facto que motivou o Presidente da República a deslocar- se à província do Cunene para constatar “in loco” o cenário da região Sul de Angola, daí que o seu partido tivesse sugerido a João Lourenço que decretasse o “estado de emergência” face ao que o partido descreve como preocupante.

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