País com cerca de mil e duzentos campos por desminar

Dos três mil e duzentos e noventa e três campos de Minas identificados no final do conflito, restam ainda cerca de mil e duzentos por desminar, revelou a ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Faustina Alves

Maria Teixeira

Na sequência do Programa Nacional de Educação e Prevenção sobre o Risco de Minas e outros Engenhos Remanescentes de Guerra, lançado no dia 16 de Agosto do corrente ano, na província do Cuanza-Norte, o Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU) realizou ontem, em Luanda, um Café de Ideias com Jornalistas dos órgãos públicos e privados e Membros da Comissão Executiva de Desminagem (INAD e CNIDAH), para uma troca de ideias. Segundo a ministra Faustina Alves, existem ainda muitos objectos explosivos não detonados remanescentes da guerra, nomeadamente, granadas, morteiros, obuses, bombas, entre outros, espalhados pelo país, sobretudo nos arredores das cidades e vilas onde ocorreram combates.

Uma vez que Angola viveu um longo período de guerra que culminou com a assinatura do Memorando de Paz do Luena, no dia 4 de Abril de 2002, esse conflito deixou, entre outros problemas, um pesado legado, que são as minas e outros engenhos explosivos não detonados. Explicou que nos ultimos anos as principais vítimas dos acidentes com minas e outros engenhos são as crianças, devido ao seu comportamento inocente. A maior parte dos acidentes actuais ocorrem devido à explosão de granadas, obuses e bombas recolhidos pelas próprias vítimas, que, em grupo, tentam abrir, por falta de informação.

De Janeiro até à data presente 62 pessoas foram vítimas de minas

Os dados dos últimos anos são de certa forma preocupantes, disse a ministra Faustina Alves, acrescentando que, no período de Janeiro até a presente data, ocorreram 25 acidentes que vitimaram 62 pessoas, dentre as quais nove meninas, 32 rapazes, sete mulheres e 14 homens. Ocasionando um total de 13 mortos. Salientou que muitos desses acidentes com minas estão ligados à alteração geracional ocorrida entre 2002 e 2019, em que parte das vítimas actuais não eram nascidas, porque levam para as comunidades engenhos que tentam abrir por falta de informação.

Explicou que muitas destas mortes acorrem devido a muitos cidadãos que estão a retirar os marcos que indicam existência de Minas, colocando em perigo as suas vidas e as de outras pessoas, numa acção não abonatória para um país que se quer ver livre desses engenhos. Salientou que esta acção será estendida nas seis línguas nacionais mais utilizadas: Kimbundu, Umbundu, Kikongo, Cockwe, Otchikwanhama e Fiote, para melhor compreensão das comunidades, graças à intervenção de activistas formados para o efeito. As províncias com maior número de acidentes são Benguela, Bié, Cuando Cubango, Huambo, Malanje e Moxico, devendo, para o efeito, receber especial atenção no âmbito do programa.

Esperam sensibilizar cerca de 10milhões de pessoas

O programa será implementada através de palestras, jangos comunitários, teatro e outras técnicas de sensibilização e educação nos meios de comunicação social, por via de especialistas e activistas devidamente formados. “A nossa meta é que nos próximos meses não ocorram acidentes com minas e outros engenhos explosivos. Por isso, pensamos sensibilizar cerca de 10 milhões de pessoas, aproximadamente 42 por cento da população global do país”, disse. O encontro que foi orientado pela ministra Faustina Alves contou com a presença de técnicos do Instituto de Desminagem (INAD), da Comissão Executiva de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH) e de directores dos institutos tutelados pelo MASFAMU

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