Escola para maridos no Burkina Fasso diz que homem de verdade respeita as mulheres

A escola para maridos e futuros maridos ensina os homens a “empoderar” as suas esposas através da mudança de comportamento, aprendendo tarefas domésticas para fazerem a sua parte em casa

Fonte:ONU News

Projecto tem apoio do Unfpa e do Banco Mundial; o objectivo é formar homens para se tornarem “maridos melhores”; nas escolas, eles também aprendem tarefas domésticas e aprendem que mulheres e meninas têm direito de viver sem violência; mais de 500 homens já passaram pelo curso no Burkina Fasso. O local se chama Mamboué, um vilarejo no Oeste do Burkina Fasso, país do Oeste da África.

É ali, que uma vez por semana, 16 homens se reúnem na Escola de Maridos e Futuros Maridos. Quem é “aprovado” sai da escola como um marido melhor. E esta turma já inclui 500 homens somente no Burkina Fasso. As aulas quebram estereótipos de gênero e mostram aos homens o papel que eles devem ter para acabar com a violência a mulheres e meninas e como podem ensinar a suas filhas e esposas uma cultura diferente. Waimbabie Gnoumou é um dos alunos. Martine, a esposa, diz que ele está a aprender a ser “um marido melhor”. Desde que começou a ir à escola, o relacionamento do casal “melhorou muito”.

As aulas são variadas. Os alunos aprendem planeamento familiar, importância da assistência prénatal e da educação das meninas. A iniciativa é apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, e pelo Banco Mundial. Uma das tarefas dos formadores é eliminar mitos como um que associa o planeamento familiar à esterilidade. Os homens também aprendem tarefas domésticas para fazerem a sua parte em casa. E são ensinados que mulheres e meninas têm o direito de viver sem violência. Desde que ingressou na escola dos maridos, Waimbabie passou a envolver-se nas tarefas domésticas.

Comunidades

De acordo com o Unfpa, a proposta é simples: criar empatia entre os homens para desafios enfrentados por mulheres nas comunidades. Gnoumou, por exemplo, orgulha- se de ter mudado o seu comportamento. Ele conta que “muitas vezes brigava com a esposa e até batia nela.” Agora, a violência acabou e Martine diz que o marido está transformado. Segundo ela, ele passou a carregar água e madeira e assumiu outras tarefas domésticas. A meta dele é inspirar outros homens.

Iniciativa

O Unfpa apoia as escolas de maridos desde 2008, quando a iniciativa surgiu no Níger, o país vizinho. No curso para melhores maridos, as lições são adaptadas aos costumes e à cultura da comunidade. A agência da ONU destaca que os temas das aulas são cruciais no Sahel. Essa região africana possui umas das maiores taxas de mortes maternas do mundo. Ela tem ainda um dos mais baixos indicadores de autonomia para meninas. No Burkina Fasso, 52% das meninas se casam antes dos18 anos. A tendência delas de se matricularem em escolas é menor do que a dos meninos. Mais de 1.640 escolas de maridos foram estabelecidas em países que implementam o projeto Empoderamento e Dividendo Demográfico das Mulheres do Sahel, Swedd.

Projeto

As escolas para maridos fazem parte do projeto Empoderamento e Dividendo Demográfico das Mulheres do Sahel, Swedd. +Actualmente, mais de 1,6 mil escolas de maridos foram estabelecidas nos sete países onde o Swedd está a ser implementado. O responsável pelo programa de gênero do Unfpa no Níger, Issa Sadou, diz que “mudanças comportamentais dos homens tiveram impactos positivos nas comunidades.” Para ele, o “desafio do Swedd é passar da mudança de comportamento para a mudança da norma social.” O projecto está a ser implementado pelos governos do Benin, Burkina Fasso, Chade, Cote d’Ivoire ou Costa do Marfim, Mali, Mauritânia e Níger. Além das escolas dos maridos, o projeto oferece treinamentos vocacionais para meninas e iniciativas para que elas permaneçam nas escolas, cuidem da sua própria saúde e defendam os seus direitos.

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