Malanjinos emigram para a RDC em busca de melhores oportunidades de vida

Kinguengue é uma das duas comunas do município de Masango, situada na linha de fronteira entre Angola e a República Democrática do Congo (RDC). As suas autoridades tradicionais emitiram um grito de socorro face às dificuldades sociais que as populações vivem, durante a visita dos parlamentares do MPLA

Falando em nome das comunidades da comuna de Kinguengue, o soba Sebastião Kimbuanje falou do mau estado da via de acesso à sede do município e da falta de escolas e hospitais, como sendo os principais aspectos que têm forçado a população a recorrer à RDC para procurar os principais serviços sociais básicos. O soba Kimbuanje referiu que as crianças e os jovens locais vivem desocupadas, sem escola nem professores e, por isso, vêem- se obrigadas a emigrar para o país vizinho com o propósito de buscarem a satisfação das suas necessidades.

Grande parte dos jovens que se deslocam ao território congolês acaba por ficar, assim como muitas outras pessoas que buscaram tratamento médico e medicamentoso, falecidas e enterradas fora do seio familiar. “Quando a pessoa está doente não tem viaturas que te levam directamente à sede do município ou da comuna. Então, obrigatoriamente as pessoas vão ao outro lado (RDC) e quando morrem é preciso ter dólares, senão te enterram como um cão”, desabafou. O soba lamentou o facto de a população da sua comunidade continuar a passar por dificuldades sociais, há mais de 20 anos, sem qualquer explicação plausível. No entanto, sublinhou que as preocupações são do domínio da autoridade governativa provincial que, por sua vez, condiciona a resolução dos problemas sociais básicos que aflige a comunidade, à limitação orçamental.

Administrador confirma

Indagado sobre os problemas apontados, o administrador do município de Masango, Luís João José, disse que, de modo geral, o mau estado das vias de acesso que ligam a sede municipal às duas comunas (Kihuhu e Kinguengue), além de dificultar a circulação das populações e alocação dos serviços básicos às comunidades, condiciona o potencial de aproveitamento e desenvolvimento do local. Em razão disso, justificou a insuficiência de escolas, de unidades sanitárias e, consequentemente, a presença diminuta de professores e enfermeiros, além dos factores de ordem administrativa, as próprias condições de acessibilidade às comunidades mais longínquas da sede municipal são desestimulantes.

Entretanto, das 2 mil e 15 crianças fora do meio escolar em todo o município, 520 delas pertencem à comuna de Kinguengue, onde vivem 17 mil habitantes. De acordo com o responsável, para a supressão da lacuna o município de Masango necessita de mais 98 professores para juntar aos 140 já existentes e três escolas ao longo do corredor fronteiriço de Kinguengue para cobertura da comuna. “Enquanto se aguarda pelas escolas de carácter definitivo, numa primeira fase estamos a negociar com as autoridades tradicionais.

A Administração vai fornecer chapas e com material local fazem-se as chamadas escolas precárias, para acudir a situação”, descreveu. Para o universo de 38 mil habitantes, o Sector Municipal da Saúde dispõe de três médicos (Clínica-geral (2) e Genecologia- Obstetrícia) assentados na sede e 38 enfermeiros distribuídos num hospital e 10 postos médicos. E, para tentar responder à demanda, a Administração do município solicitou o apoio da Polícia de Guarda Fronteiras (PGF), através dos especialistas da saúde que atendem os postos sanitários fixados nos três pontos fronteiriços, para socorrer as populações das cercanias. Luís João José conferiu que as preocupações são colocadas à esfera provincial e central, para que dentro dos programas e projectos que têm sido aprovados fossem vistos os problemas que afectam o município sob sua tutela.

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