Mau indício

Samakuva, penso eu, não deveria voltar a falar à comunicação social até ao Congresso da UNITA, para não correr o risco de cometer o erro que cometeu na sua última conferência de imprensa, ontem. Ao ter dito que o próximo presidente da UNITA deverá cumprir integralmente o que ditar o congresso, um congresso ainda organizado pela máquina de Samakuva, o presidente da UNITA em fim de mandato não está mais do que a condicionar o voto dos militantes, ou seja, a dar indicação de voto. Está a “matar” a possibilidade de inovação. A ideia que a UNITA se tem esforçado a fazer passar é a da neutralidade do seu ainda líder e da disputa democrática partindo todos os candidatos em pé de igualdade. Esta ideia, cheia de simbolismo democrático, ficou agora beliscada. Samakuva deu a indicação de querer deixar a liderar o partido algum “seu candidato”. Também não é mau que assim seja, mas, neste caso, que assuma o apoio a um dos concorrentes, mas que permita que todos joguem com os mesmos meios e tenham o mesmo acesso aos militantes e à sociedade. Seria muito interessante que assim fosse. Aliás, este é um problema crónico e que um dia se revelará fatal nos partidos angolanos, a ideia de uns serem mais do que os outros. Pior, pensa- se que os “mais partidários” estão melhor colocados que a inovação, a inquietude e o sonho. Seria de esperar que um partido que lidera a Oposição em tempos de crise se mostrasse mais afoito, mas a tentação do conservadorismo é tão forte que Samakuva até ameaçou com uma espécie de interrupção de mandato se o próximo líder não se guiar pelas balizas ditadas pelo congresso que ele, como presidente, está a “organizar”.

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