“O 1º de Agosto não tem legitimidade para impedir a saída do Capita”

O especialista em Direito Desportivo, Egas Viegas, assegurou ontem a OPAÍS que a direcção do 1º de Agosto não tem legitimidade para impedir a viagem do avançado Capita ao Brasil, palco do Mundial em sub- 17 que aquele país acolhe de 26 de Outubro a 17 de Novembro próximo. O jurista referiu que o exercício do Poder Paternal é feito pelos país e não pelo clube.

Assim, a direcção do clube presidido por Raul Hendrick não deveria, nesta Quarta-feira, inviabilizar a ida do rapaz à cidade de Goiania, onde vai decorrer o estágio. Os pais de capita, segundo o especialista, são os únicos que teriam condições para o efeito, se notassem algumas irregularidades. Deste modo, o litígio entre o 1º de Agosto e o internacional angolano não o impede de jogar na Selecção Nacional. Egas Viegas disse que houve usurpação de competências por parte de Carlos Hendrick e isto fere princípios fundamentais.

O especialista avançou a este jornal que, em casos mais delicados, os órgãos com competência para impedir a saída do internacional angolano seriam a Procuradoria ou os tribunais. Mas isso devia ser fundamentado, uma vez que é menor e houve autorização por parte de vários órgãos. “O 1º de Agosto não tem legitimidade para impedir a saída do Capita. Houve usurpação de competências”, disse o jurista.

Carlos Hendrick “dispara” no escuro Por sua vez, os argumentos do presidente Carlos Hendrick à imprensa revelaram alguns “disparos” no escuro, apesar de o jogador estar disposto a partir para um outro clube. O dirigente chegou a afirmar que Capita não treina há muito tempo e que é uma falta de respeito aos seus colegas da Academia por ter abandonado. “Que exemplo é que este jovem vai dar aos outros?” questionou o presidente do 1º de Agosto à imprensa durante a “novela” Capita.

O internacional angolano tem litígio com o clube militar pelo facto de alguns clubes europeus estarem interessados no seu passe. Como é evidente, o seu agente contactou o 1º de Agosto, mas, este clube não anuiu e, por conseguinte, o atleta abandonou o estágio.

Por isso, terá sofrido a retaliação da direcção do clube presidido por Carlos Hendrick nesta Quarta-feira. Capita foi o melhor marcador do CAN que a cidade de Dar- Es-Salam, Tanzânia, acolheu no ano passado. A Selecção Nacional de futebol em sub-17 regressou ao país com a medalha de bronze ao peito, bem como com o apuramento ao Mundial que começa no dia 26 do corrente mês no Brasil.

FAF corrige a falha e Capita viaja

A Federação Angolana de Futebol (FAF), depois de ter agido como espectadora em relação ao caso Capita, corrigiu a falha ontem, no fim do dia, segundo um comunicado. O órgão que rege a modalidade no país assumiu que o internacional angolano viaja hoje para o Brasil, palco do estágio em Goiania e do Mundial em sub- 17. As partes reuniram-se e concluíram que o atleta deve representar a Selecção Nacional, mesmo tendo litígio com o 1º de Agosto. Por esta razão, o atleta viaja hoje às 23:00, no voo TAAG, companhia de bandeira. No comunicado, a FAF assumiu que está em contacto permantente com a família do atleta.

Aliás, estão a trabalhar na recuperação psicológica do internacional para se juntar ao grupo. O atleta vai ao Brasil com um membro da equipa médica e um oficial de segurança. A FAF reiteirou que assume a responsabilidade e que o problema que impediu a saída do atleta é público, por isso, escusa-se a detalhar outros aspectos inerentes a viagem do rapaz. Fonte do órgão que rege a modalidade no país disse que nos próximos dias é imperioso haver uma explicação mais detalhada sobre “o triste papel” da FAF neste processo.

 

“A criança é prioridade”

A ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula Sacramento, em relação ao caso Capita, disse que no ordenamento jurídico angolano a criança é prioridade. Por isso, não houve razões de se impedir a saída do avançado da Selecção Nacional. Pelo documento do Ministério da Juventude e Desportos (Minjud), a Federação Angolana de Futebol (FAF) devia embarcar o atleta. Entre outros assuntos, a minsitra disse que 1º de Agosto não apresentou qualquer documento e ser prematuro fazer-se uma análise sobre o caso. Mas os técnicos do gabinete jurídico vão reunir-se para analisar a questão em relação a atutude do 1º de Agosto e Capita.

Documento do Minint compromete

A novela Capita envolveu também o Ministério do Interior (Minint) nesta Quarta-feira. Este órgão, à luz de um documento com o número 10890, remetido ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), Serviço Migração Estrangeiros (SME) e ao director adjunto do Aeroporto para a Segurança, solicitava a tomada das medidas necessárias que impedissem a saída “ilegal” do atleta. O documento que impediria a saída do internacional pelas autoridades no Aeroporto vem datado de 27 de Setembro passado, implicando que os factos tivessem sido, quiçá, previamente preparados.

 

error: Content is protected !!