Turquia intensifica campanha na Síria e EUA alertam para “consequências sérias”

A Turquia intensificou os seus ataques aéreos e de artilharia contra as milícias curdas no nordeste da Síria nesta Sextafeira, reforçando uma ofensiva que provocou alertas sobre uma catástrofe humanitária e fez parlamentares republicanos dos Estados Unidos se oporem ao presidente Donald Trump

A incursão, iniciada depois que Trump retirou as tropas norte-americanas que lutavam ao lado das forças curdas contra militantes do Estado Islâmico, abriu uma nova frente na guerra civil síria de oito anos e atraiu grande repúdio internacional. Um monitor da guerra informou que o número de mortos se aproximava de 100 desde os primeiros dias do ataque, incluindo 17 civis, além de dezenas de combatentes curdos e rebeldes sírios apoiados pela Turquia. A Turquia diz que nove civis foram mortos do lado da fronteira em ataques de retaliação.

Em Washington, Trump – que rebate acusações de que abandonou os curdos, aliados fiéis dos EUA – deu a entender que o seu país poderia mediar o conflito, mas também aventou a possibilidade de impor sanções contra a Turquia. Nesta Sexta-feira, aviões de guerra e peças de artilharia turcos alvejaram os arredores de Ras al Ain, uma de duas cidades fronteiriças sírias que são o foco da ofensiva. Jornalistas da Reuters situados na cidade turca de Ceylanpinar, do outro lado da fronteira, ouviram tiros. Um comboio de 20 veículos blindados transportando rebeldes sírios aliados da Turquia entrou na Síria por Ceylanpinar. Alguns fizeram sinais de vitória, gritando “Allahu akbar” (Deus é grande) e acenando com bandeiras dos rebeldes sírios ao avançarem rumo a Ras al Ain.

Cerca de 120 quilómetros para o Oeste, lançadores de morteiros turcos retomaram os ataques perto da cidade síria de Tel Abyad, disse uma testemunha. “Nestes momentos, Tel Abyad está a registar as batalhas mais intensas em três dias”, disse Marvan Qamishlo, porta-voz das Forças Democráticas Sírias (FDS) lideradas pelos curdos. De madrugada, confrontos irromperam em diferentes pontos ao longo de Ain Diwar na fronteira iraquiana com Kobani, mais de 400 quilómetros a Oeste.

Forças turcas e das FDS trocaram tiros em Qamishli, entre outros lugares, segundo Qamishlo. “A fronteira toda está em chamas”, afirmou. Forças turcas capturaram nove vilarejos perto de Ras al Ain e Tel Abyad, disse Rami Abdulrahman, director do Observatório Sírio de Direitos Humanos, que monitora a guerra. Ao menos 41 combatentes que lutam com as FDS, 34 rebeldes sírios apoiados pela Turquia e 17 civis foram mortos nos confrontos, de acordo com o observatório. As FDS disseram que 22 dos seus combatentes foram mortos na Quarta e Quinta-feiras.

A Turquia diz que matou centenas de combatentes das FDS e que dois soldados turcos foram mortos. Autoridades turcas disseram que duas pessoas foram mortas e três feridas por morteiros na cidade fronteiriça de Suruc, aumentando o número de mortos para nove civis no lado turco. Na Quinta-feira, dois empresários estrangeiros que moram no Estado norte-americano da Flórida e ajudaram o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, a investigar Biden foram presos devido ao que procuradores descreveram como um esquema para canalizar dinheiro do exterior a um comité eleitoral pró- Trump e outros candidatos políticos dos EUA.

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