Volume de negócios entre Angola e Itália cai 50%

Estimadas em mil milhões e 326 milhões de euros em 2016, caíram para 50 por cento não somente pela falta de negócios, mas devido à queda do preço do petróleo

Estimadas em mil milhões e 326 milhões de euros em 2016, caíram para 50 por cento não somente pela falta de negócios, mas devido à queda do preço do petróleo, principal produto de exportação para o país europeu, informou ontem, na província da Huíla, o embaixador daquele país em Angola, Claudio Miscia.

Os números dados pelo diplomata indicam que em 2014, as exportações de Angola para a Itália fixaram- se em 928 milhões de euros, em 2017 caiu para 346 milhões, já a exportações transalpinas para Angola em 2014 estiveram fixadas em 398 milhões de euros e três anos depois em 281 milhões. Em entrevista exclusiva à ANGOP, o diplomata fez saber que nem sempre essas estatísticas têm a ver com o que realmente se exporta, porque a maior parte das exportações para Angola são quotadas no porto holandês de Roterdão e outras vezes são importadores portugueses, espanhóis e sul-africanos que trazem mercadorias italianas.

“O importante é cortar as rotas muito longas, por isso está em curso um trabalho muito aturado no escritório de comércio da embaixada em Luanda, para incentivar empresários angolanos a contacterem directamente as fontes na Itália para aumentar o volume de negócios”, frisou o embaixador.

Cláudio Miscia reafirmou que o volume de negócios entre os dois países caiu, mas sublinhou que não está muito preocupado com isso, porque “é óbvio que num momento de crise é natural que se importe menos bens de luxo. O que é importante mesmo é que aumentou a importação de maquinaria, o que demonstra que Angola está a importar menos produtos acabados e a produzir localmente com recurso a equipamentos italianos. Reconheceu que há um esforço que o Governo angolano está a fazer para desenvolver uma produção alternativa ao petróleo, olhando para a agricultura como base para substituir as importações.

Quanto às relações entre os dois países, Claudio Miscia ressaltou que no seu mandato vieram a Angola o presidente do conselho de ministros da Itália, Matteo Renzi, em 2017, e, agora em Fevereiro pela primeira vez, um chefe de Estado italiano visitou o país, Sergio Matarela. Acções que por si só demonstram a importância da cooperação. Sublinhou que há progressos no que concerne uma maior presença de empresas angolanas em feiras italianas, fundamentalmente no domínio agrícola, tendo terminado há dias uma formação em que foram capacitadas por técnicos italianos 60 empresas angolanas do sector de produção de alimentos, em Roma, o que vai ajudar a desenvolver o sector produtivo.

Dívida de Angola estimada em 150 milhões de euros

Nesta entrevista, o embaixador italiano fez saber que a dívida de Angola com empresas italianas é de 150 milhões de euros, o que não diminui a importância das relações entre Angola e Itália. “O que está declarado são 150 milhões de Euros, mas eu acredito que pode ser reduzida com o mínimo de atenção e aos detalhes com a convocação.

Angola tem agora uma nova ministra das Finanças que é uma excelente pessoa e vou falar directamente com ela apurar os os detalhes”, frisou. Sobre o desempenho do novo Governo de Angola, liderado pelo Presidente João Lourenço, o diplomata disse que a Itália esteve sempre na primeira linha a sustentar o “esforço difícil” que o Executivo está a fazer para construção de uma nova Angola. “A Itália foi o primeiro país fora de África que teve o seu chefe de governo logo a seguir à eleição do novo presidente, em Novembro de 2017, a visitar Angola (o Presidente Matarela) em Fevereiro deste ano e com duas missões organizadas com o claro intento de sustentar o esforço do Presidente Lourenço.

Claudio Miscia está no Lubango para uma visita de trabalho de dois dias, onde naugurou uma exposição sobre Leonardo da Vinci (1452- 1519), sob o lema “Leonardo, génio gentil”.

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