Exército da Turquia intensifica ataques a curdos na Síria; familiares de terroristas fogem de acampam

Operações turcas no Norte do país cumpriram o 5º dia. 130 mil civis fugiram em busca de refúgio em casas de parentes e abrigos longe do conflito.

O exército da Turquia intensificou na madrugada deste Domingo (13), quinto dia de ofensiva militar, a sua operação no Norte da Síria, com ataques nas proximidades das cidades sírio-curdas de Ras al Ain e Akçakale. As autoridades curdas informaram que centenas de estrangeiros ligados ao Estado Islâmico fugiram do campo de refugiados de Ain Issa, que abriga cerca de 12 mil deslocados. Entre eles estão cerca de mil estrangeiros, como mulheres e crianças, com conexão com o grupo terrorista.

O número exacto de fugitivos ainda não está claro: um grupo que monitora o conflito fala em 100, mas as autoridades curdas dizem que esse número pode chegar a 800. Um novo comboio de tanques turcos chegou à região Norte da Síria e os disparos de artilharia continuaram pela manhã deste Domingo. Segundo a CNN, forças turcas bloquearam a principal via que dá acesso a Kobani.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos informou neste Domingo que as forças turcas e grupos sírios aliados dominaram Tal Abyad, a maior cidade conquistada até ao momento desde o início da ofensiva de Ancara na última Quarta-feira. Em resposta aos ataques turcos, cerca de 300 projécteis de milícias sírio-curdas caíram em diferentes áreas do Sul da Turquia, deixando 18 mortos e 100 feridos, todos civis, informam agências internacionais de notícias.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos afirma que 21 pessoas morreram de ambos os lados. As Forças Democráticas da Síria (FSD) recuperaram a maior parte das áreas ocupadas pelas forças turcas na fronteira de Ras al Ain, chave para entrada no território sírio.

O Governo turco informou neste Domingo que durante a sua ofensiva no Norte da Síria, que começou na Quarta-feira passada, “neutralizou” – matou, deteve ou feriu – 480 combatentes das milícias sírio-curdas. “As operações da ofensiva ‘Fonte de paz’ continuaram com sucesso da noite para o dia, com apoio de fogo do solo e do ar, incluindo drones”, disse o Ministério da Defesa turco em comunicado.

Críticas estrangeiras

O país enfrenta cada vez mais críticas do exterior, tanto de seus parceiros ocidentais na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) quanto na Liga Árabe. No Sábado (12), a França e a Alemanha anunciaram que deixarão de vender armas à Turquia enquanto a operação continuar. Na manhã deste Domingo, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que o embargo não deterá a ofensiva.

Ele já afirmara anteriormente que “a operação continuará até que as ameaças da Unidades de Proteção do Povo (YPG) e do Estado Islâmico sejam completamente eliminadas no Norte da Síria”. Ele também ameaçou nesta Quinta-feira (10) “enviar 3,6 milhões de migrantes” à Europa, em resposta às críticas a sua operação militar. Preocupação com fuga de famílias do EI.

O destino dos extremistas islâmicos que actualmente estão presos na Síria preocupa o mundo inteiro. Antes do início da ofensiva turca, as Forças Democráticas da Síria (FDS), integradas nas principais milícias curdas da Síria, já tinham deixado claro que teriam que concentrar as suas forçaspara se defenderem. Neste Domingo, a França manifestou a sua “preocupação” depois de familiares de extremistas estrangeiros do Estado Islâmico fugirem do acampamento de refugiados na Síria e pediu à Turquia o fim de sua intervenção militar. “Evidentemente, estamos preocupados com o que possa acontecer.

É por isso que desejamos que a Turquia acabe o mais rápido possível com sua intervenção” militar no Norte da Síria, declarou o porta-voz do Governo, Sibeth Ndiaye, em entrevista à televisão pública francesa. A chanceler alemã, Angela Merkel, também pediu ao Presidente turco que pare “imediatamente” a ofensiva na Síria, advertindo que ela pode favorecer “a desestabilização da região e um ressurgimento do EI”.

130 mil pessoas em fuga

am as suas casas nas cidades de Tell Abiad e Ras al Ain, no Nordeste da Síria, desde que a ofensiva turca na área começou. Alguns deles foram recebidos por parentes em vários locais, mas muitos refugiaram-se em escolas ou abrigos colectivos em cidades como Tal Amr, Hasakeh ou Raqa, diz as Nações Unidas.

Segundo o escritório humanitário da ONU, cerca de 400.000 pessoas na área podem precisar de assistência e protecção nos próximos dias. A ONU também alertou que os hospitais públicos e privados de Ras al Ain e Tell Abiad fecharam as suas portas na Sexta-feira (11), e que mais de 400.000 pessoas ficaram sem abastecimento de água na área de Hasakeh. Autoridades de várias cidades perto do conflito decretaram o encerramento das escolas por pelo menos três dias, a partir de Segunda-feira (14).

‘Operação Fonte de Paz’

O Governo turco chama a operação de “Fonte de Paz”. Segundo o Presidente Erdogan, os alvos são a milícia curda Unidades de Proteção do Povo (YPG), acusada de ter vínculo com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), e o Estado Islâmico. Forças lideradas pela YPG foram aliadas dos Estados Unidos no combate ao grupo terrorista durante a guerra na Síria. O objectivo da acção, segundo Erdogan, é estabelecer uma “zona de segurança” no Nordeste da Síria. A Turquia pretende criar uma “zona livre” na fronteira com a Síria, onde se concentram as forças curdas. O Governo de Erdogan alega que a milícia curda YPG, presente nessa região, actua de forma terrorista e está por trás de ataques em território turco ligados ao PKK.

 

 

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