O que pensam sobre o Estado da Nação

Partidos políticos e membros da sociedade civil esperam ouvir nesta Terça-feira, 15, na Assembleia Nacional, um discurso do Presidente da República, João Lourenço, mais virado para soluções do que identificar causas, ou seja, dar respostas às questões do desemprego, pobreza, delinquência e outros.

Maria Custódia

João Lourenço vai discursar à nação na abertura do Ano Legislativo 2019/2020 e a expectativa dos cidadãos, na voz dos seus representantes no parlamento, é que indique caminhos para encontrar soluções dos múltiplos problemas.

A UNITA, o segundo o maior partido na Assembleia Nacional, espera que o Presidente da República se pronuncie sobre a realização das eleições autárquicas, numa altura em que o Pacote Legislativo Autárquico(PLA) ainda não está aprovado e sem previsão aparente.

O deputado Alcides Sakala, porta-voz deste partido, admite que a resolução das necessidades que as populações enfrentam passa pela realização de eleições autárquicas, por isso, espera que o Chefe de Estado indique um horizonte temporal sobre a sua realização.

Espera que as mesmas venham a ser consideradas “transparentes, abrangentes, justas e livres”, para se evitar desconfianças na fiabilidade do processo, como aconteceu em pleitos eleitorais anteriores, sustenta. Para além das eleições autárquicas, esta força política espera também que, desta vez, o Presidente da República aponte soluções sobre a problemática da reinserção social dos ex-militares e a devolução do seu património ainda em poder do Governo.

CASA-CE quer receitas da madeira

A CASA-CE quer que amanhã o Presidente da República, de entre os vários problemas sobre o Estado da Nação, aborde sobre as receitas resultantes da produção da madeira e dos diamantes. Segundo a porta-voz desta coligação, Cesinanda Xavier, pouco ou nada se sabe sobre a produção de madeira e dos diamantes, porquanto o país está a enfrentar um índice elevado de desemprego, com realce para a juventude.

Sobre o desemprego, a CASA- CE espera que o Executivo crie estratégias para curto, médio e longo prazos, para contrapor os índices de desemprego, cujas consequências estão a provocar desestruturação de famílias, delinquência e outros males sociais.

Durante o discurso, a CASA-CE também quer ouvir João Lourenço a falar da despartidarização das instituições públicas, bem como da clarificação da dívida pública (quanto foi o empréstimo do estrangeiro, com enfoque nos dados estatísticos reais).

Augura que o Presidente da República apresente aos angolanos o verdadeiro ponto de situação do Estado da Nação “no domínio político, económico, social e judiciário”, reforçou Cesinanda Xavier. A também deputada considera necessária e urgente a implementação do processo autárquico, para se reduzir as assimetrias regionais e as desigualdades sociais no seio da população.

PRS contra aumento de preços

O secretário-geral do PRS, Rui Malopa Miguel, pretende que o Presidente da República seja bastante incisivo fundamentalmente na estratégia do seu Executivo para combater a situação resultante da especulação de preços com a implementação do IVA a 1 de Outubro. Deplorou a subida vertiginosa de preços com a entrada em vigor do Imposto do Valor Acrescentado (IVA), pelo que espera uma acção do Executivo neste sentido.

FNLA : Assistência no Sul

O porta-voz da FNLA, Jerónimo Makana, considera importante que se apontem soluções para salvaguardar a vida das populações que sofrem com o problema da seca no Sul do país e proteger também a fauna e a flora daquela região. Para o político, “é preciso que o Executivo tenha uma posição sobre a estratégia do Estado” para salvar o país do marasmo económico em que se encontra. Defende também que o Presidente da República explique aos angolanos os passos que o Executivo está a dar para resolver o problema do desemprego, sendo a maior preocupação do momento dos angolanos, depois da delinquência, prostituição e outros males sociais.

O que pensa a sociedade civil

À semelhança dos políticos, os religiosos defendem igualmente a resolução dos problemas mais candente para aliviar o sofrimento das populações, segundo o reverendo Ntoni-A-Nzinga, da Igreja Evangélica Baptista em Angola(IEBA). “Que exprima aquilo que o povo em geral está a viver. É importante que a visão do futuro seja enquadrada dentro dos grandes pilares e projectos do país, e deve facilitar a participação da cidadania activa na governação”, disse. Segundo o missionário, daqui a seis anos, Angola vai completar 50 anos de Independência Nacional, e é importante o engajamento firme para a construção da nova sociedade que se espera.

Discurso de esperança

Por sua vez, a secretária-geral do Conselho das Igrejas Cristãs de Angola(CICA), Deolinda Dorcas Teca, espera que o discurso de João Lourenço traga mais esperança e faça com que o povo tenha fé e acredite mais nos esforços que estão sendo feitos para a melhoria das condições de vida de toda a sociedade. Espera ainda que, com a implementação do Programa de Intervenção Integrado nos Municípios (PIIM), o Executivo resolva rapidamente a questão da fome e da pobreza, através de políticas mais consentâneas.

“Friends of Angola”.

Já o presidente da associação cívica “Friends of Angola”, Rafael Morais, augura que haja uma orientação no sentido de se olhar para a salvaguarda das questões sociais da população, tendo em conta o “ custo de vida muito alto”, que, cada vez mais, está a deixar a população no abismo da pobreza, com a subida dos preços dos produtos da cesta básica. Reconheceu que o Presidente começou com boas políticas e boas intenções, mas, após dois anos no poder, nota-se uma decadência naquilo que tem a ver com a vida das populações.

ADRA : autarquias para promover cidadania

Para o director-geral da ADR A, Carlos Cambuta, o Presidente da República deveria pronunciar-se sobre as eleições autárquicas para dissipar eventuais dúvidas, numa altura em que se aproxima o ano (2020) para a sua realização.

Defende que as eleições autárquicas não devam ser adiadas, sob pena de enfraquecer a possibilidade do exercício da cidadania e da promoção do desenvolvimento local. Segundo Carlos Cambuta, o Chefe de Estado tem de se pronunciar também sobre a visão do Governo em relação ao desenvolvimento do sector agrário e à apresentação à Assembleia Nacional de uma proposta de Orçamento Geral do Estado para 2020 que reflicta equilíbrio na dotação de verbas entre as diferentes localidades sobre a estratégia do Estado” para salvar o país do marasmo económico em que se encontra.

Defende também que o Presidente da República explique aos angolanos os passos que o Executivo está a dar para resolver o problema do desemprego, sendo a maior preocupação do momento dos angolanos, depois da delinquência, prostituição e outros males sociais.

 

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