Padre vê nas “estradas” um factor de emponderamento das famílias

Embora não constitua o único elemento para que as comunidades se tornem auto-sustentáveis, o sacerdote em causa, do Bailundo, acha que, pelo menos, alguns trabalhos paliativos nos caminhos das povoações teoricamente isoladas ajudariam e facilitariam trocas de produto e actividades comerciais.

Alberto Bambi

O padre Herculano Carlos considera que um processo de abertura de vias e terraplanagem nas estradas de terra batida já existentes, bem como a política de extensão das mesmas, sobretudo as que dão para as regiões de Santa Cruz e as que ligam as localidades da conhecida Fazenda Aurora e o Bimbe, bem como entre o Bailundo e Monte Belo, devia constituir o primeiro passo da luta do Governo para o emponderamento das famílias dessas circunscrições. “Se atendermos ao facto de que as populações das zonas de que inicialmente me refiro serem maioritariamente camponeses por excelência, é fácil concluir que produzem e têm necessidade de vender os seus produtos, embora pratiquem uma agricultura familiar ou de subsistência. Daí que a necessidade de estradas para que os mesmos levem as suas cargas para as zonas comerciais de maior fluxo populacional é um clamor incessante. De acordo com o sacerdote, que assegurou conhecer bem essas e outras regiões tidas como distantes e algumas aldeias ou quimbos das mesmas, classificadas até como isoladas, há situações em que os produtos se estragam e outras em que os habitantes se vêem a braços para conseguir adquirir sabão, óleo e sal, os bens alimentares e industrializados mais procurados. Para o prelado, nenhuma dessas necessidades se justificaria se as condições das vias e de transportação estivessem garantidas. “Até que as motorizadas de três rodas deviam dar uma grande ajuda, não fossem os altos custos praticados pelos poucos proprietários desses meios, um clamor que ainda preenche a preocupação dos residentes dessas áreas”, referiu o prelado, tendo acrescentado que a estrada deve chegar a essas povoações para que os carros cheguem lá.

Desemprego formal

Ao padre Herculano Carlos preocupa, igualmente, o descontentamento dos camponeses, criadores de gado e artesãos, motivado pelas dificuldades que têm a ver com as vendas e escoamento dos seus produtos, que vai resultando já na baixa de produção e, segundo ele, se vai tornando mais acentuada com a falta de adubos e de outros produtos que melhoram as culturas. Questionado se nessas regiões os camponeses não têm sido contemplados com campanhas de facilitação de aquisição de meios de trabalho ou fertilizantes, o prelado revelou que aí estava outro problema que ele e seus colaboradores directos gostariam de entender melhor, porque os seus assistidos-crentes costumam informar que encontram barreiras em tais benesses. “Eu fui informado de que há dificuldade de aceder a esses benefícios, quando os há, nessas circunscrição ou em outras zonas de concentração do município. Oxalá não seja por fricções partidárias, à semelhança do que temos ouvido de outras localidades”, desejou o sacerdote, fazendo fé de que as diferenças de confissões religiosas e partidárias não separem os angolanos, sobretudo quando se tratar de um direito assistido. Informou que o mercado informal tem tido fertilizantes e materiais de trabalho agrícola, mas que os preços não são compatíveis com o bolso dos cidadãos. “Até porque não podendo vender, os camponeses ficam sem dinheiro para adquirir qualquer coisa”, reforçou. Herculano Carlos chamou a atenção das autoridades de direito para envidarem esforços no sentido de resolverem esse problema, de modo a evitar que as pessoas caiam no desemprego formal. “Porque produzir para não poder vender e ver as coisas a estragarse, porque não podem comer tudo o que cultivam, é quase partir para a mesma condição de quem não trabalha”.

Santa Cruz desliga-se de Luanda

O entrevistado mostrou- se entristecido por causa da ligação que o Bailundo tinha, como as vias que dão para Luanda, que, no seu entender, nem sequer é mais referenciada. Explicou que, por via da estrada de Santa Cruz, adstrita ao Sector da Chiteta, município do Bailundo, se chegava facilmente à municipalidade do Libolo, na província do Cuanza-Sul, desta para o Dondo, no Cuanza-Norte, e posteriormente para Luanda, entrando por Maria Teresa, Catete e Viana. “Como se pode ver, os nossos munícipes não precisariam de muitas manobras para chegar à Capital do país, onde, hoje, se concentra o maior número da população com capacidade de aquisição”, declarou o padre Herculano, para quem, a partir dos mercados da urbe luandense, os camponeses da sua região ou seus intermediários podiam já comprar fertilizantes, enxadas, catanas, charruas, bem como produtos alimentares mais escassos na sua zona de jurisdição. Nas zonas que o padre citou, os produtos mais cultivados são milho, soja, batata, feijão e banana, tal como o tomate, cebola, cenoura e nabo, além de aí o gado proporcionar carne e leite.

 

 

error: Content is protected !!