Vacinar a criança protege-a da meningite e pode evitar a hidrocefalia

 

A médica pediatra reformada Victória do Espírito Santo chama a atenção às mães angolanas quanto à importância do cumprimento do calendário de vacinação na proteção de várias doenças, como as causadas pelas infecções por meningite. Muitas mães ainda ignoram as vacinas dos filhos, mesmo sendo estas gratuitas

 

A especialista começou por explicar que a hidrocefalia é caracterizada pelo crescimento acelerado da cabeça, por aumento do líquido cefalorraquidiano quando encontra uma obstrução para a sua normal circulação. Pode ser hereditária, esta obstrução, ou pode ser por alguma infecção adquirida, e, dentre as quais a mais frequente é a meningite (esque pode ser evitada com a vacinação). Infelizmente, segundo Victória do Espírito Santo, muitas das mães não cumprem o calendário de vacinação, que ajudaria bastante na redução da ocorrência de meningites. “Apesar de a vacinação ser gratuita, as mães não cumprem a vacinação, se fizerem a primeira dose não fazem a segunda, se fazem a segunda não fazem a terceira ou a quarta, por exemplo. E para as crianças estarem protegidas têm de ser cumprido o calendário de vacinação”, disse.

Quando a doença é hereditária, ainda tem como identifisociedade car-se previamente, mediante as consultas de puericultura de mês a mês, segundo a pediatra, onde se mede o perímetro da cabeça, se está fora da curva aconselhada ou não. O tabu e a crença no feiticismo têm levado ainda a que muitas mães não procurem a ajuda dos médicos especialistas e depositem as suas esperanças num quimbanda ou guardem a criança com hidrocefalia (que muitos chamam de sereia) em casa. É importante, segundo Victória do Espírito Santo investir na informação para que possamos tirar os mitos da cabeça e salvar mais crianças.

Por seu turno, Engrácia Mouzinho, directora nacional dos hospitais, que discursava no Centro de Hidrocefalia do Kifica aquando de uma doacção feita pelo Banco BFA, disse que várias acções estão a ser desenvolvidas pelo Ministério da Saúde no sentido de minimizar o impacto que a patologia (hidrocefalia) tem nas famílias angolanas. O trabalho parte do diagnóstico precoce para o tratamento oportuno, pelo que contam com os esforços dos profissionais especializados que se encontram nas unidades hospitalares. Através do concurso público electrónico, em parceria com o serviço nacional de contratação pública para compras agrupadas, o MINSA adquiriu aparelhos e quites neuro- cirúrgicos, como válvulas e outros dispositivos médicos.

As declarações da directora nacional dos hospitais vêm numa altura em que o director do CNCTH, Mayanda Inocente, chama a atenção ao facto de a sua instituição não receber qualquer verba do Estado e estar a depender de obras de caridade, apesar da tamanha ajuda que têm prestado à população. Há muito que o centro neurocirúrgico tem vindo a clamar por ajuda, já que se debate com a escassez de material de grande porte de uso obrigatório nas intervenções cirúrgicas. Mesmo sem condições, e apesar de não receberem de muitas mães qualquer comparticipação financeira, solidarizam- se com estas e os pacientes que todos os dias solicitam a intervenção cirúrgica.

O centro depende da ajuda de algumas instituições e pessoas singulares que, às vezes, financiam a cirurgia de uma criança vítima de hidrocefalia. Segundo o director Mayanda, têm sofrido com o peso da demanda aos seus serviços e a incapacidade de responder a todas. A sua instituição conta com três médicos fixos e um número considerável de voluntários especializados provenientes de outros hospitais que se predispõem a atender a boa causa. O Centro Neurocirúrgico e de Tratamento da Hidrocefalia (CNCTH), desde a sua existência já realizou mais de 5000 cirurgias. É o maior centro de tratamento de Hidrocefalia em Angola e 99% dos casos são tratados na instituição. Calcula- se que, anualmente, entre cinco e dez mil crianças apresentam esta patologia.

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