Comissário Massota perto de conhecer a sentença

O Supremo Tribunal Militar marcou para hoje a retomada do julgamento em que é réu principal o comissário Francisco Massota, antigo director da Escola de Polícia de Protecção e Intervenção, acusado de burla por defraudação. O dia de hoje está reservado para as alegações finais

O julgamento, que está perto do fim, decorre no Instituto de Ciências Policiais e Criminais “Osvaldo Serra Van-Dúnem”, e tem como réu o comissário Massota, para além de Elizandra Tomás, Márcia Alfredo, Veloso Moisés, entre outros réus subalternos do comissário, arrolados neste processo que revelou os “fantasmas” existentes na Polícia Nacional. Embora o comissário a dada altura do julgamento tivesse denunciado a existência de mais de 3500 fantasmas na Polícia Nacional, Massota responde em tribunal pelo crime de burla por defraudação. Na última sessão de julgamento, a audiência foi convidada a ouvir gravações em que aparece a ré Elizandra Tomás e o co-réu Veloso Moisés a conversarem, onde aventa- se a possibilidade de o comissário Francisco Massota, que está a ser julgado por ter supostamente burlado 100 cidadãos sob promessa de enquadramento nas fileiras da PN, ter gastado todo o dinheiro dado por estes.

Desde o começo do julgamento, fala-se em 30 milhões de Kwanzas que a co-ré Elizandra Tomás terá dado ao comissário Massota, para integrar nas fileiras da Polícia Nacional um total de 100 pessoas. Pelo facto de muitos estarem a ver demorado o enquadramento, e dado o tempo de espera, sentiram-se burlados e a pressão fez com que o caso fosse parar ao tribunal. Perto do fim, o tribunal decidiu juntar entre as provas três gravações, uma em que aparece o réu Francisco Massota e a co-ré Elizandra Tomás a analisarem a resolução mais amena do problema, com a devolução dos valores aos lesados sem que o caso fosse parar ao tribunal. Na segunda gravação, Elizandra conversa com a co-ré Márcia Alfredo, e na terceira gravação Elizandra conversa com Veloso Moisés.

Na terceira gravação, a co-ré Elizandra é questionada sobre como é que o comissário teria gastado tanto dinheiro assim, pelo que respondeu “isso é o jogo, nos casinos. Eles são viciados e gastam o dinheiro todo nos casinos”, ouviu a sala, o som em que Elizandra também orienta ao seu colega que caso o comissário lhe desse dinheiro para devolver aos lesados ,deveria exigir a assinatura de um documento que o comprovasse.

Pediu a Elizandra que tivesse calma

Colheu-se ainda da primeira gravação uma conversa entre o réu Massota e a co-ré Elizandra, dentro do carro do primeiro, a impressão de que o réu tudo queria fazer para corrigir o erro que tinha cometido e pagar a dívida com os cidadãos que confiaram em si a capacidade de arranjar uma vaga na PN. Massota pediu a Elizandra que tivesse calma, pois, apesar de ela ter sido vista como a burladora, por ser ela quem dava a cara, ele resolveria o problema.

Resolveria se Elizandra não lhe queixasse na PGR, porque Massota disse: “se eu for preso ou despromovido não poderei pagar nada”. Disse ainda que não podia ser visto como gatuno. Massota disse que recebeu um envelope de Elizandra, contendo 900 mil Kz e outro de Márcia, contendo o mesmo valor, com objectivo de arranjar tais vagas. Reconheceu que a voz que aparece na gravação é a dele, mas que a conversa que manteve com a co-ré Elizandra não foi assim tão longa: “foi montada no computador, mas a voz é minha”, reforça. Elizandra pressionava a resolução do problema porque era ela que estava a ser vista como burladora por parte dos lesados e tinha de ser ela a responder nos processos instaurados por estes.

Importa frisar que durante as audiências, praticamente todas as três rés, por sinal suas subordinadas foram unânimes em apontar Massota como a peça principal das “falcatruas”, tendo inclusive sido levantadas questões que indicam que terão sido coagidas pelo comissário a declarar o contrário. Hoje, a audiência será dedicada à apresentação das alegações finais, cujo julgamento está marcado para as 9h, no Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais “Osvaldo Serra-Vandúnem”, em Luanda

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