O discurso

Amanhã já teremos nos jornais sobre o que falar do discurso de hoje, do Presidente da República, na Assembleia Nacional. Aliás, logo a seguir ao discurso não faltarão analistas a aprovar e a reprovar isto e aquilo do que for dito. Nos últimos dias surgiram já antevisões e recados, cada um a “desejar” que o Presidente João Lourenço aborde temas do seu interesse. É assim a democracia, é assim com os humanos, é normal. Deve ser mesmo assim. Mas João Lourenço também tem a sua vontade, as suas ideias, o seu plano, em que, naturalmente, não podem caber todas as outras, de cada cidadão individualmente, mas as da Nação. Eu espero apenas que o Presidente se mantenha firme nas ideias que julga serem as melhores para o conjunto do país. Ele está num ponto em que tem uma visão macro melhor sobre a realidade do que nós os outros, pela informação que lhe chega, pela análise que faz da evolução da sua política e também pelos entraves que encontra. Dois anos depois do seu empossamento, com a crise económica e todos os outros problemas, é normal que João Lourenço não seja o Presidente milagreiro, pelo menos para já. Aliás, os efeitos da sua governação, se forem positivos, sentir-se-ão mais tarde. Disto tem toda a gente de ter ciência, apesar do ronco na barriga agora. Mas isto não quer dizer que eu não tenha também as minhas expectativas individuais, tenho sim. Eu espero que o presidente articule o discurso de forma a que os angolanos se solidarizem mais com ele apesar dos “apertos”, que não seja um discurso triunfalista, porque isto pode levar a enganos, mas um discurso realista, que diga que a ideia é semear para colher depois, que é óbvio que estamos apenas no início da construção da “sua” Angola. Que entende as críticas e que as aceita com tolerância sem que isto o desvie do objectivo que é o bem dos angolanos. Porque, apesar de em alguns momentos discordar de dos seus pensamentos, ainda acredito que o Presidente é boa pessoa, com boas intenções, com foco e que acredita piamente na sua missão e quer cumpri-la para o bem de todos. Quero que ele transmita esta confiança aos angolanos. Mas falamos já, vamos ainda ouvir o que nos tem a dizer sobre o Estado da Nação. E que, já agora, preste algumas contas, porque o cheque não pode ser em branco, tem de ilustrar já com realizações nestes dois anos, as possíveis.

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