Professor quer piscinas sociais para melhoria da aprendizagem

Instrutor apela que se tem, hoje, a oportunidade de, no futuro, se evitar gastos de dinheiro para emendar erros de resultados negativos previsíveis. O critério passa por se construír piscinas públicas e com serviços grátis ou, pelo menos, subvencionados

O professor de natação Élvio do Rosário da Gama Ferreira encoraja o Estado a construir piscinas sociais, que as crianças consideradas como desfavorecidas possam ter oportunide de frequentar, a fim de que, por via desse exercício, se melhore o aproveitamento escolar dessa classe infantil. “Por ser uma modalidade desportiva que trabalha todos os músculos e exige muita atenção e concentração, uma vez que o seu meio tem sempre a ver com um campo aberto ou fechado composto por água, então suscita uma actividade mental mais rápida e eficiente, até mesmo pelo facto de haver necessidade de se reagir a uma possível submersão”, explicou o treinador de natação para os infanto-juvenis.

Confrontado com o facto de o país se encontrar em crise económica e financeira, o instrutor ironizou dizendo que, num futuro próximo, se poderia gastar o dinheiro que hoje estava a ser negado para concertar erros achados evitáveis.

Aos 27 anos de idade, 12 dos quais ininterruptamente dedicados ao mundo da natação, cujos primeiros passos de instrução revelou ter recebido nas praias de Luanda, Élvio do Rosário lembrou-se do seu histórico para reforçar a sua alegação, assegurando que a modalidade retira, sobretudo na criança ou no aluno do ensino primário, as tendência da distração e do desequilíbrio. “Parecendo que não, são esses dois dos problemas mais preocupantes com que os professores primários se debatem actualmente nas salas de aulas”, referiu o “Comissário Político, como é chamado entre colegas de ofício, familiares, por lhe reconhecerem a capacidade de mobilizar e sensibilizar os infanto- juvenis a desfazerem-se do medo da água. Élvio do Rosário não escondeu o medo exagerado que as crianças dos cinco aos oito anos trazem consigo, quando os pais decidem leválos para uma escola de natação.

“Essa reacção não deve parecer estranha para nós. Passa-se a mesma situação quando um bebé é preparado para tomar os seus primeiros banhos”, recordou o instrutor, tendo acrescentado que o normal é as crianças chorarem até se acharem libertas do contacto com a água. Segundo adiantou o entrevistado, da mesma maneira que, depois de algum tempo, o bebé se mostra familiarizado com a água, também acontece com os infanto-juvenis que tem vindo a instruir. Aliás, garantiu que é esse processo que se consigna nos procedimentos de aprendizagem, até porque, de acordo com o interlocutor de OPAÍS, estão aí sempre implicados os factores tempo e espaço, há muito defendidos pelo pedagogo Jean Piaget como verdadeiros elementos de apreensão de conhecimentos, ao se tratar de crianças menores de 12 anos, que, por sinal, constitui a faixa etária com a qual mais trabalha.

“Não é difícil admitir que, numa piscina, a criança exercita alcançar espaços curtos, médios e longos, num determinado tempo, normalmente mantendo um equilíbrio de movimento”, realçou Élvio do Rosário.

Brinquedos anti-medo

Independentemente do que informou sobre as dinâmicas para pacificar a criança num espaço de água, o professor Élvio do Rosário detalhou que, a par dos meios de ensino utilizados por alguns docentes primários do ensino geral, para atrair a atenção dos miúdos, a piscina apresenta-se em vantagem, pelo facto de ter disponíveis materiais ou recursos instrutivos em jeito de brinquedos. “Temos brinquedos que atraem as crianças, como o puboy ou cilindro, cinto ou chourição, braçadeira, a prancha e outros que tranquilizam os petizes enquanto atentam ao desafio que o ambiente lhes impõe”, informou.

Finalmente, o “Comissário Político” gabou-se dizendo que, enquanto o ambiente da sala de aula de uma escola normal é dispersivo, o que facilita a distração rápida, o da piscina é apelativo, porque a mínima distração é premiada com possível afundamento.

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