A Associação Nacional dos Cegos e amblíopes de angola (an- Caa) realizou, ontem, em luanda, nas imediações da Cidadela, uma marcha sob o lema, “Com a eliminação de barreiras de atitudes e arquitectónicas, para um país mais inclusivo”, alusivo ao dia da bengala branca, ou dia mundial da Protecção dos Cegos, assinalado ontem, 15 de Outubro

Ribeiro Manuel, vicepresidente da referida associação, disse na ocasião, a OPAÍS, ser imperioso o Executivo traçar políticas de inclusão social dos deficientes visuais para que possam melhorar a sua qualidade de vida e serem vistos como pessoas normais. “A marcha deveu-se ao facto de as pessoas com deficiências continuarem, até agora, a enfrentar barreiras, quer em termos de atitude, quer em termos de barreiras arquitectónicas.

Algo que tem dificultado cada vez mais as pessoas com deficiência”, frisou. O líder associativo alertou que, para que as pessoas com deficiências possam circular à vontade pelas ruas das cidades e dos seus próprios bairros, é necessário que se removam tais barreiras, uma vez que só assim todos terão as mesmas oportunidades legalmente previstas.

As barreiras a que se refere consubstanciam- se também em atitudes e comportamentos das pessoas. “Até hoje, a nossa inclusão não se faz sentir. As pessoas nas instituições ainda vêem o deficiente como se fosse uma pessoa que não fizesse parte deste mundo. Olham com desprezo e desdém”, contou.

Desafios para levar uma vida normal

Por outro lado, apelou a sociedade a olhar para os deficientes visuais como ser humano.Alguém que procura levar uma vida normal, apesar de ter perdido um dos seus órgãos. A discriminação é outro desafio que os deficientes visuais enfrentam todos os dias. Acerca disso, o líder associativo contou que recebem diariamente várias queixas dos seus associados, invocando que a sofreram em diversas instituições, como bancos comerciais.

As instituições públicas responsáveis pela emissão de documentos pessoais também figuram entre as instituições onde os deficientes visuais enfrentam constrangimentos. Segundo Ribeiro Manuel, a outra realidade que inquieta os seus associados é a falta de escolas especiais, uma vez que não existem em quase todas as províncias, o que faz com que muitos membros dessa franja da sociedade não cheguem até ao ensino médio.

“Recebemos um relato que na província do Bié os alunos com deficiência chegam apenas até à 9ªclasse, porque as escolas médias não aceitam receber esse tipo de alunos. Temos também províncias em que não há ninguém com uma formação média ou básica e isso também dificulta muito. Se queremos uma sociedade inclusiva, temos que apostar na formação de todos”, afirmou.

Mais de 3 mil deficientes associados

Actualmente, a associação congrega 3 mil e 575 membros, cuja maioria se encontra nas províncias do Uíge e de Luanda. É justamente na capital do país que recebem a maioria das queixas, pelo facto de nas demais províncias as pessoas com deficiências visuais serem encaradas como doentes.

Por considerar esse facto como preconceito, Ribeiro Manuel adverte que a deficiência não é uma doença, é uma limitação física. Fez saber que a maior parte dos seus associados trabalham no sector da Educação, pelo facto de o Instituto Normal de Educação “INE Garcia Neto” ser a instituição que mais recebeu pessoas com deficiências visuais. Razão pela qual, todos eles fizeram a formação de professores.

No entanto, existem alguns a trabalhar em departamentos ministeriais, todavia, não estão imunes à descriminação. “Para nós, que estamos integrados nas escolas de ensino especial, ainda conseguimos contrapor isso tudo. Outros, além de serem funcionários, passam a ser activistas para defender o seu emprego no seio dos colegas”, salientou. Por essa razão, recebem várias denúncias embora outros prefiram manter-se em silêncio para não levantar outros problemas. “Eu também sofro, embora algumas vezes procuremos ser activistas. As dificuldades são imensas”, desabafou.

ANCAA com fraco apoio do Governo

Ribeiro manuel contou, entretanto, que a anCaa pretende atender os deficientes visuais que se encontram espalhados pelas 18 províncias, mas vê-se impossibilitada por falta de apoio do Estado. “dependemos da associação norueguesa de Cegos ambliopes que nos têm ajudado na manutenção dos nossos escritórios, pagando salários e todos os serviços administrativos. Temos também um projecto de reabilitação na provincia do uíge que é apoiado por eles”, fez saber. a associação nacional de Cegos e amblíopes de angola existe desde 1992 e está representada em oito províncias do país, nomeadamente luanda, Cuanza-norte, bengo, Huambo, uíge, Cuanza-Sul, Cabinda e malanje.

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