País regista 18 casos de poliomielite

Na província de luanda há registo de um caso de poliomielite no município do Kilamba Kiaxi, bairro do Rasta, e aproximadamente 200 crianças podem ter sido contaminadas, revelou ontem num encontro com os jornalistas, a coordenadora provincial de luanda do programa alargado de vacinação, Filismina neto

Desde 2011 que, ao nível nacional, não se registavam casos de poliomielite, e a cidade capital não registava desde 2010, mas no presente ano, há cerca de quatro meses foram notificados 18 novos casos com maior incidência na zona leste do país, designadamente Lundas-Norte, Sul e Moxico.

São no total 11 províncias notificadas, incluindo Luanda, onde registaram um caso no município do Kilamba Kiaxi, bairro do Rasta. Segundo Filismina Neto, quando se regista um caso positivo de pólio, significa que aproximadamente 200 crianças estão contaminadas, “mas não significa que todas venham a desenvolver a doença, uma vez que só desenvolve quem tiver o seu sistema imunitário comprometido ou baixo”. Filismina Neto acredita que as crianças infectadas com a poliomielite desenvolveram a patologia depois de se realizar a troca de vacinas, ao nível internacional, no mês de Abril. A troca foi de trivalente para bivalente.

A poliomielite é causada por 3 serotipos (tipo 1, tipo 2 e tipo 3), o mundo erradicou o vírus tipo 2 em 1999 e orientou que se tirasse a vacina trivalente do sistema e se introduzisse a bivalente, que tem na sua composição os tipos 1 e 3 por serem vírus que ainda circulam no mundo. Angola retirou a pólio oral em 2016 e introduziu no sistema a vacina pólio injectável em 2017. “A troca devia ser simultânea, o que não ocorreu. Foi um espaço de um ano e este grupo de crianças que não recebeu durante este período a vacina anterior (trivalente), ficou vul nerável”. Por isso, ao nível da província de Luanda decorrerá nos dias 18, 19 e 20 do mês em curso a campanha de vacinação contra a pólio destinada a todas as crianças dos zero aos cinco anos. Filismina Neto afirmou que esta campanha de vacinação tem uma especificidade e vai chamarse “campanha de resposta ao surto”.

A campanha não é de âmbito nacional, pois apenas as crianças das 11 províncias com casos notificados é que a receberão. Na cidade capital, dada a sua densidade populacional, a campanha comportará três etapas. Neste fim-de-semana começa a ronda zero, a outra etapa começa nos dias 1 a 3 de Novembro e a última, ainda no mesmo mês nos dias 15 a 17. De acordo com a coordenadora, almejam que seja uma campanha de qualidade e não de quantidade, apesar de que esperam vacinar cerca de 2 milhões de crianças.

Campanha porta-a-porta e sem mitos

O que vai definir a qualidade da campanha são os dados fornecidos pela monitorização, que será a última etapa do processo onde farão uma revisão do trabalho realizado. Todas as crianças vacinadas serão sinalizadas com uma pinta no dedo mendinho da mão esquerda.

Pelo tal facto, apelou aos coordenadores municipais que reforcem todas as equipas, dos mais variados níveis, no sentido de recrutarem vacinadores locais, e que sejam muito bem formados, sendo que a formação será acompanhada de um técnico de Saúde, de modo a garantir que a parte técnica seja bem implementada. A campanha vai decorrer portaa- porta, e nas unidades de Saúde pública ou privada terão postos fixos, nas creches, escolas, mercados ou pontos em que se registe CaRlOS mOCO/aRQuivO aglomerado de mães com crianças. “A família não deve impedir a criança de ser vacinada. Não existe nenhuma contra-indicação que impeça a criança de ser vacinada, independentemente do estado vacinal dela ou se foi vacinada com uma das vacinas de rotina, no mesmo dia em que decorrer a campanha, obrigatoriamente deverá receber a vacina da campanha, porque são completamente diferentes uma da outra”, alertou Filismina Neto.

Quanto às famílias que por questões de crenças não aderem à campanha de vacinação, a coordenadora contou que estão a trabalhar de modo exaustivo no sentido de sensibilizar as comissões de moradores, líderes de diferentes religiões, pelo que acredita que ninguém ousará em rejeitar a administração da vacina ao seu educando.

Por outro lado, lembrou que a vacina é um direito da criança e ao se tratar de prevenção para uma determinada patologia, passa a ser da responsabilidade do Estado garantir a saúde aos cidadãos.

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