Restos mortais do músico Chico Montenegro repousam no Cemitério da Sant’Ana

A cerimónia foi assistida por várias individualidades, que destacaram as suas qualidades artísticas, como o exímio tocador de bongós que era e uma das vozes mais representativas do “bolero angolano”

Os restos mortais do músico Chico Montenegro, voz emblemática do agrupamento Jovens do Prenda, que faleceu no passado Sábado, 12, no Hospital Militar em Luanda, vítima de doença prolongada, foram sepultados ontem, no cemitério de Sant’Ana.

A cerimónia foi assistida por várias individualidades, entre os quais a ministra da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, ofi ciais do Comando do Exercito (Direcção Principal de Educação Patriótica), membros da União Nacional dos Artistas e Compositores – Sociedade de Autores (UNAC-SA), familiares e amigos. No local, foram prestadas distintas homenagens que destacaram as suas qualidades artísticas, como o exímio tocador de bongós que era e uma das vozes mais representativas do “bolero angolano”.

Foi ainda realçado o seu impulso na dinamização do Movimento Músico-cultural nas Forças Armadas Angolanas, particularmente no Exército, onde há 12 anos dirigiu com determinação e sabedoria o agrupamento musical. A UNAC-SA lembrou que o artista foi premiado no “Festival de Música Folclórica”, com os Jovens do Prenda, em Santarém (Portugal), e nas sucessivas idas à Alemanha com o conjunto Angola- 70, assim como as mais distintas digressões que teve pelo mundo.

Por essa razão, considerou que o “Bolero” angolano” perdeu a sua principal estrela, aquela que melhor criou, melhor o interpretou e nele se envolveu de corpo e alma, ao longo de várias décadas “. Por sua vez, o músico Don Caetano lembrou que o passamento físico de Montenegro ocorreu no dia e no mês em que a Banda foi fundada, a 12 de Outubro de 1968. Consternado, referiu que Montenegro foi o “rei” do bolero angolano, o instrumentista dos últimos Bongós da história da música angolana, que carregou consigo a sabedoria interpretativa de um músico de excelência.

Consternação

A interpretação de várias canções do artista, entre elas “Teté” e “Isabel”, cantadas acompanhada ao som do violão, marcou um dos momentos altos da cerimónia, num misto de choros, lágrimas e lamentações pela partida do Man Chico, como era carinhosamente tratado pelos familiares. A ministra da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, lamentou o ocorrido e pediu aos jovens para que seguissem o exemplo de patriota e nacionalista de Montenegro.

Ao mesmo tempo, considerou o seu passamento físico como uma perda para a música folclórica angolana e do bolero em especial. “Seguir como um grande exemplo que tivemos na música angolana, como percursor, promotor, mas também como um grande guardião daquilo que é a identidade angolana”, lamentou. Por sua vez, o músico Calabeto realçou que Montenegro foi o único que sobreviveu no agrupamento musical “Os Jovens do Prenda”, a tocar Bongó, isso, há mais de 40 anos, mas que infelizmente a morte o fez parar.

O também compositor considerou o artista como um bom pai e amigo, um homem pacífi co, de temperamento brando e de fácil relacionamento, com quem trabalhou várias vezes. “Ele era mais sentimental na interpretação da música Kimbundo. O bolero está ligado ao sentimento que ele carregava nas suas lindas composições e nas suas interpretações. Fez dele um homem sentimentalista”, observou.

O artista

Filho de Miguel António e de Maria Lourenço Madeira, Francisco Miguel António “Chico Montenegro” nasceu em Luanda, Bairro Prenda, no dia 2 de Outubro de 1952. Cantor, compositor e percussionista, Chico Montenegro, tambor solo e voz, ajudou a fundar, em 1968, o agrupamento “Jovens do Prenda”, em cuja primeira formação pontifi cavam os nomes de José Keno, voz e guitarra, Verry Inácio, tambores, Sansão, pandeireta e voz, e José Gama, viola baixo. Entram depois Tony do Fumo, voz e dicanza, Kangongo, tambor baixo, e Didy da Mãe Preta, pandeireta. O seu reportório é constituído por temas como “Lamento de um fi lho”, “Teté”, “Ji henda ya Luanda”, “Longa Marcha”, “Monami”, “Bolero Jovem”, “Isabel” e “Ngolo banza”. Em 2008, colocou no mercado o disco “Memórias”, da colecção “Poeira no Quintal”, da Rádio Nacional de Angola, que reúne parte substancial da sua obra musical.

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