Eu não leio, tu não lês

Venham o Banco Mundial, o FMI, os discursos presidenciais, as boas intenções dos governadores, dos ministros, o investimento estrangeiro. Venha o que quiser e como quiser, o país não evoluirá se não aprender a ler, se não aprender a interpretar o que lê, se não se cultivar, se não colocar as artes no centro da sua vida. Já sabemos que Angola carece de uma política do livro que traga cultura aos cidadãos. Aliás, muitas das asneiras governativas que temos vindo a sofrer ao longo de décadas decorrem também do facto de sermos dirigidos por gente que não valoriza a leitura. Isto não é ofensa a ninguém, é uma realidade que não pode ser escamoteada, de tão verdadeira que é. Agora que se fala em atrair turistas, em mostrarmo-nos como somos, e também se fala de chamar investidores, bem, investidor que não lê jornais só mesmo os nossos, que montam negócios com base em tudo o que é compadrio e roubo e não construindo ideias brilhantes resultantes de um bom processamento da informação noticiosa sobre produtos, serviços e mercados. Isto justifi ca que as cidades não tenham livrarias e que naquelas que ainda vão tendo um ou dois quiosques, como o Lubango, até estes estejam em risco de desaparecer, como aquele que está nas proximidades da Sé, pelo menos é a sentença da Administração Municipal comunicada ao proprietário. É que deve dar mais jeito colocar aí uma barraca de bebidas e de churros do que manter a venda de jornais e livros. A lógica deve ser simples: se eu não leio, tu não lês, porque a falta de leitura não fez diferença para chegar ao cargo. Mas, infelizmente, pode fazer muita, no sentido negativo, na qualidade da gestão. E nós, cidadãos, sentimo-la. Se sentimos!

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