Professores podem entrar em greve no próximo ano

O presidente do Sindicato Nacional de Professores (SINPROF), Guilherme Silva, disse que o investimento na Educação não pode ser entendido como caridade e espera que no próximo Orçamento Geral do Estado (OGE) o tempo de serviço seja contemplado. O secrectário de Estado do sector, Pacheco Francisco, declarou que atender a reclamação dos professores depende do Ministério das Finanças

Por:Milton Manaça

Guilherme Silva anunciou ontem, em Luanda, que vão apresentar um caderno reivindicativo ao Ministério da Educação até Quarta-feira, exigindo a valorização do tempo de serviço e a transição automática a partir do próximo ano, caso não sejam atendidos decretarão greve. No caderno reivindicativo, que sairá das conclusões do Vº Congresso Ordinário do SINPROF que encerra hoje, constarão também questões como a monodocência e o excesso de alunos nas salas de aula. Com o caderno reivindicativo, o SINPROF pretende que a questão do tempo de serviço conste no próximo OGE. “Investir na Educação não é caridade e se o país não investir na Educação de qualidade não será bem-sucedido”, defendeu o sindicalista.

Os professores dizem ser necessário dotar de maior autonomia o sector da Educação, citando como exemplo o bolo orçamental fixado em 5%, cujo valor defendido pelos sindicalistas é de 20%, realçando que a decisão do que é prioritário ou não para o ensino não pode ser decidido pelo Ministério das Finanças. Guilherme Silva disse que “a péssima qualidade de ensino empobrece a população mais desfavorecida, porque os governantes têm os filhos a estudar no exterior ou em escolas privadas de cariz internacional”, referindo ser necessário que a classe sindical defenda o pacato cidadão.

Os sindicalistas mostraram-se descontentes e dizem ser um retrocesso o conteúdo da proposta da Lei Sindical do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, pelo facto de alegadamente ferir as liberdades conquistadas com a luta dos funcionários. Participam do Vº Congresso do SINPROF representantes de todas províncias, a Internacional Sindical, o Sindicato dos Países da Comunidade de Língua Portuguesa e a Organização de Professores da África Austral.

Monodocência

A retirada da 5ª e 6ª classe do ensino primário também constará do caderno reivindicativo, pois, os professores garantem que desde a sua implementação os resultados têm sido negativos. Para a classe, as condições não estarão criadas para atender às exigências nem mesmo a médio prazo, uma posição defendida, por exemplo, por Helena Alberto, professora há 10 anos na província da Huíla. O caso das disciplinas de música e educação física foi apontado por Helena como exemplos, realçando que a actual monodocência além de não facilitar o trabalho do professor, acaba por mutilar as crianças.

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