Cartel aterroriza cidade do México e liberta filho de El Chapo

Combatentes fortemente armados cercaram forças de segurança numa cidade do México e as forçaram a libertar um dos filhos do chefe do narcotráfico Joaquín “El Chapo” Guzmán, depois de a sua captura desencadear tiroteios e uma fuga da prisão que obrigou civis a buscarem protecção

 

O ministro da Segurança, Alfonso Durazo, disse que uma patrulha da Guarda Nacional foi atacada inicialmente de dentro de uma casa da cidade de Culiacán, 1.235 quilómetros ao noroeste da Cidade do México, na Quinta-feira. Depois de entrar na casa, a patrulha encontrou quatro homens, inclusive Ovidio Guzmán, que é acusado de tráfico de drogas nos Estados Unidos. Mas a patrulha logo foi atacada pelos atiradores do cartel, e teve que recuar para evitar a perda de vidas, disse o governo.

Simultaneamente, combatentes se espalharam pela cidade, confrontando agentes policiais e soldados em plena luz do dia. Eles incendiaram veículos e deixaram ao menos um posto de gasolina em chamas. “Foi tomada a decisão de recuar da casa, sem Guzmán, para evitar mais violência na área e preservar as vidas do nosso pessoal e recuperar a calma na cidade”, disse Durazo à Reuters. A reacção à captura de Guzmán foi numa escala raramente vista durante a longa guerra do México contra as drogas, mesmo após a prisão do seu pai mais famoso.

O caos permanecia ao anoitecer. Um grupo grande de presos escapou da prisão da cidade. Moradores esconderam-se em shopping centers e supermercados em meio aos disparos, e colunas de fumo negro se erguiam no horizonte. Famílias com crianças pequenas abandonaram os carros e se deitaram de barriga para baixo na rua. Balas estalavam acima das suas cabeças. “Pai, podemos levantar agora?”, perguntou um menino pequeno ao pai num vídeo publicado no Twitter. “Não, fique abaixado”, respondeu o homem, com voz trêmula.

Cristobal Castañeda, chefe de segurança do Estado de Sinaloa, disse à rede Televisa que duas pessoas foram mortas e 21 ficaram feridas, segundo informações preliminares. Não ficou claro de imediato se membros da patrulha ficaram feridos. A Reuters TV mostrou ao menos três corpos caídos perto de carros na rua. O caos em Culiacán, um bastião do cartel de Sinaloa dos Guzmán, aumentará a pressão sobre o presidente Andrés Manuel López Obrador, que prometeu pacificar um país cansado de mais de uma década de luta contra o narcotráfico.

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