V Edição do Festival Caixa Fado “encarna” Amália Rodrigues

Com um cartaz repleto de cantores angolanos e portugueses, a V edição do Festival Caixa Fado, veio reafirmar o espírito de união entre os dois povos

 

Por:Adjelson Coimbra

Amália Rodrigues, também conhecida como a Rainha do Fado, foi a grande homenageada da V edição do Festival Caixa Fado realizado esta Quinta-feira, no Cine Atlântico, em Luanda. Este tributo não foi ao acaso, uma vez que 2019 e 2020 figuramse dois anos importantes para os amantes do fado e da sua embaixadora, Amália Rodrigues, que este mês de Outubro assinala-se os 20 anos desde que o seu corpo passou a repousar no Panteão Nacional em Portugal e em Julho de 2020 celebra-se o centenário do seu nascimento. A noite foi dividida em dois momentos. O primeiro que começou, precisamente, às 21 horas, foi inicialmente abrilhantado com um show de guitarra à portuguesa, por Chaveiro Solo.

Em seguida, o silêncio pairou, quando no negrume da noite que envolvia o pavilhão do Cine Atlântico, Mel, trajada de vestes pretas, que contrastavam com o louro do seu cabelo subiu ao palco, para interpretar a primeira canção de Amália Rodrigues, “Rua do Capelão”. A fadista ainda cantou “Lá vai Lisboa”. A organização do evento me receu muitos elogios e este facto foi visível pela maneira plausível como os artistas intercalavam as performances, como foi o caso da aparição de Patrícia Faria, enquanto Mel ainda estava em palco, cantando em uníssono “Conta Errada”.

Intercaladamente, Patrícia deu espaço a Tânia Oleiro, intérprete das canções “Lisboa Antiga Lá” e “Barco Negro”, este último em dueto com Pérola, que emotivamente cantarolou “Malhão” e “Gaivota” com Lina. No primeiro painel, canções como “Maldição”, “Uma Casa Portuguesa”, também foram ouvidas. Segundo Painel Depois de um intervalo de cerca de 20 minutos, ouviu-se uma chuva de guitarrada e, sequencialmente, Cidália Moreira canttarolou “Primeiro Amor”, “Ardinita” e “Ternura dos 40”. Por sua vez, Paulo Flores, um dos cantores mais esperados da noite, trajado de um bubu predominantemente branco, com emoção cantou “Casa da Mariquinhas”, “Eu Sou Lisboa”, “Nem Às Paredes Confesso”.

Outro cantor, igualmente muito esperado, foi Marcos Rodrigues, que, juntamente com Paulo Flores arrepiou o público quando cantou “Loucura” e individualmente quando expeliu a sua voz do diafragma, sem qualquer dificuldade, para cantar “Tempo” e “Poema Desfeito”. Para encerrar o evento, os músicos todos uniram-se e em uníssono entoaram “Luanda Menina e Moça”, do título original “Lisboa Menina Moça”.

Artistas encaram Festival como desafiante

A fadista portuguesa Mel está em Angola pela primeira vez e disse estar satisfeita com o evento, por ter partilhado o palco com Patrícia Faria, tendo manifestado o interesse de introduzir nas suas músicas cantares angolanos. “Eu acho que tanto Angola, quanto Portugal estão bastante unidos e com a música que é uma linguagem universal acabam por se tornar ainda mais unidos. É bom podermos trazer um pouco da tradição portuguesa a Angola e ouvir cantores angolanos a cantarem esse mesmo fado”, disse. Já Patrícia Faria, que considerou uma grande responsabilidade interpretar Amália Rodrigues e não foi difícil, mas foi desafiante estar em palco com fadistas por tuguesas, pelo facto de elas serem muito doces e convidativas, para aquilo que é a sua zona de conforto. Por isso, seria impossível não brilhar.

Por sua vez, Pérola, que desde os ensaios encarou o evento com bastante responsabilidade, afirmou que estudar o reportório de Amália é perceber o que é o fado e um show como esse constitui uma mais-valia para os artistas, por exigir bastante rigor. No entanto, Paulo Flores, que considera o evento bastante nostálgico, por ter passado parte da infância em Portugal, elogiou a organização do evento e realçou o facto de ser bom poder conhecer a cultura de outro povo, tendo em conta de que se devem respeitar as diferenças e se assumir as semelhanças.

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