PR aponta falta de produção como causa de ‘empobrecimento’ do angolano

O Presidente da República, João Lourenço, diz que o empobrecimento dos angolanos se deve à falta de produção no país, mas acredita que o quadro de pobreza se poderá inverter caso haja maior aproveitamento das oportunidades existentes no país

Por:Constantino Eduardo, enviado ao Bié

João Lourenço sujeitouse a responder a várias questões/preocupações a si apresentadas pelos membros do Conselho de Auscultação das Comunidades do Bié, em reunião por si presidida na cidade do Kuito. Para o presidente da República, o cidadão angolano, de uma forma geral, empobreceu pelo facto de o país estar a produzir pouco e insta os angolanos a arregaçarem as mangas e aproveitarem as inúmeras oportunidades. ‘Não podemos contar só com o Estado. Nós, os angolanos, temos de produzir mais’, considera, para quem tem havido muitas oportunidades que alguns cidadãos desperdiçaram. Para João Lourenço, os níveis de pobreza em Angola vão baixar consideravelmente quando os cidadãos tirarem maior aproveitamento das capacidades existentes, sem, contudo, contar tanto com o Estado.

O Chefe de Estado, que cumpriu ontem o segundo e último dia da visita ao Bié, salientou que os angolanos, de modo geral, se debatem com uma série de problemas de natureza social, como habitação, por exemplo, para o qual o Estado tem envidado ‘esforços’ para os resolver. Para se inverter o quadro, o presidente considera que outros actores auxiliem o Estado na construção de casas, reconhecendo que este, sozinho, jamais conseguirá dar resposta aos problemas actuais.

‘Estou a me referir ao sector privado, cujo negócio deve ser o de construir habitação para vender ou alugar(arrendar)’, disse o PR. Por essa razão, João Lourenço espera que o sector privado abrace o negócio imobiliário, mas esclarece que a auto-construção dirigida pode ser uma das saídas para se resolver o problema da habitação social. ‘Os governos provinciais, as administrações municipais devem assumir a responsabilidade de talhonar os terrenos e pô-los à disposição dos cidadãos’, defende.

A sociedade civil quer mais investimentos do Estado nas vias de acesso e na construção de infraestruturas escolares. Dos antigos combatentes vieram as denúncias de alegada violação da Lei n13/2012(Lei do Antigo Combatente e Veterano da Pátria), consubstanciada na falta de protecção por parte do Estado e sugeriram a inserção dos antigos combatentes na função pública, facto considerado impossível pelo Presidente, devido ao imperativo da idade para função pública. ‘Muitos antigos combatentes têm uma idade acima dos 60 anos’, justificou.

Na referida reunião, a classe empresarial manifestou-se preocupada com o facto de o Ministério das Finanças não ter pago, até aqui, as dívida aos empresários locais, apesar de certificada. Tomando da palavra, o PR acalma a classe, garantindo que toda a dívida devidamente certificada deverá, seguramente, ser paga pelo Executivo, porquanto, no entender do Alto Magistrado da Nação, se o Governo não apoiar o empresariado nacional, este terá dificuldades de crescer.

Mais água para o Kuito

No seguimento da sua visita à cidade planáltica do Bié, o Presidente da República procedeu à inauguração do sistema de abastecimento de água do Kuito. Com uma capacidade de 648 mil metros cúbicos de água por hora, orçado em mais de USD 39 milhões, a infra-estrutura vai beneficiar mais de 105 mil pessoas, mas o projecto poderá, com as acções complementares em vistas e as 10 mil ligações previstas para o próximo ano, atingir cerca de 150 mil.

A infra-estrutura vai contribuir para a inversão do défice de distribuição de água que se registava na província do Bié. Segundo o secretário de Estado das Águas, Lucrécio Costa, a empreitada permitiu a duplicação de água tratada e de armazenamento disponível na cidade. ‘Foi construída uma rede de distribuição com cerca de 80 quilómetros ao que se junta os 10 de adução’, disse o governante à imprensa. O secretário de Estado revelou que a projecção do Executivo para o Kuito aponta que, até 2025, o município terá, no mínimo, mais de 60 mil ligações domicialiares e refere que o seu sector está a trabalhar na garantia de fornecimento de água com maior qualidade.

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