Angola conta com 111 Controladores de Tráfego Aéreo

Comemorou-se ontem (Domingo – 20 de Outubro) o Dia Mundial do Controlador de Tráfego Aéreo, data instituída em 1979, para homenagear o profissional. O presidente da Associação Angolana dos Controladores de Tráfego Aéreo (AA CTA), Nuno Kakumba Francisco, adiantou que no país a actividade é exercida por 111 profissionais, que têm a missão de garantir a segurança do espaço aéreo nacional.

O controlador de tráfego aéreo (também conhecido internacionalmente pelo acrónimo ATCO, do inglês Air Traffic Controller) tem como função emitir autorizações de descolagem e aterragem aos pilotos de modo rápido, ordenado e seguro, e dar suporte, em caso de problema no vôo. É uma profissão bastante exigente, com um nível de responsabilidade muito elevado, requerendo uma selecção e a preparação rigorosa dos profissionais, pois uma falha ou distracção pode significar a perda simultânea de centenas de vidas humanas.

A propósito da efeméride, o presidente da Associação Angolana dos Controladores de Tráfego Aéreo (AACTA), Nuno Kakumba Francisco, adiantou que no país a actividade é exercida por 111 profissionais, que têm a missão de garantir a segurança do espaço aéreo nacional.

O presidente da AACTA salientou que “os profissionais da classe enfrentam inúmeras dificuldades no exercício da profissão, por causa da falta de refrescamento regular, aliada a péssimas condições de trabalho”. Para este especialista, além da melhoria das condições de trabalho que se impõe, os gestores para a navegação aérea devem ser transversalmente capacitados, de maneira a desenvolverem cultura e sensibilidade aeronáutica.

“Apesar de o espaço aéreo nacional ser seguro para a aviação com aeronaves de pequeno e de grande porte, temos que perceber que o factor crítico de sucesso para a prestação do serviço de controlo de tráfego são as comunicações VHF e VHFER nos órgãos de controlo”, alertou.

Por considerar vital no intercâmbio entre povos e para as trocas comerciais, o presidente da Associação Angolana de Controladores de Tráfego Aéreo pede ao Executivo para prestar maior atenção ao sector aéreo, primando por investimentos sérios. “No país, infelizmente, esta profissão não é valorizada, talvez por nunca ter havido uma paralisação dos serviços por via reivindicativa”.

Conhecemos bem o impacto que causaria e acredito que passaria a ser levada mais a sério. Nós trabalhamos em condições inaceitáveis”, epressou. Segundo o responsável em alusão a esta efeméride, em Angola estão agendadas várias actividades, com destaque para programas de rádio e televisão, palestras e a entrega de um donativo às populações da província do Cunene vítimas da seca severa que a região vive há um ano.

O dia está a ser reflectido sob o lema “Controladores felizes, céus seguros”, numa altura em que se apela a reestruturação do espaço aéreo nacional e divisão em sub-regiões de informação de voo, mediante o realinhamento e implementação de novas rotas. Essa reestruturação, de acordo com o presidente da Associação Angolana dos Controladores de Tráfego Aéreo (AACTA), Nuno Kakumba Francisco, deve ser ajustada à demanda do tráfego, com vista a rentabilizar o serviço e evitar-se custos operacionais desnecessários.

Na óptica deste controlador de tráfego aéreo, o país deve rever as políticas do sector aéreo e adequá- las à realidade actual, tendo em vista que a aviação civil é uma actividade com elevado grau de complexidade e que existe para facilitar o transporte de passageiros, cargas e correios. “São serviços públicos que envolvem tecnologia muito cara, pelo que devem ser rentáveis e sustentáveis.

Logo, a reestruturação deve abranger também a cultura organizacional das empresas do ramo, que devem estar comprometidas com o desenvolvimento do sector”, disse. Segundo Nuno Kakumba Francisco, os quadros carecem de refrescamento, além de que continuam a operar em frequências bastante ruidosas, dificultando, sobremaneira, o exercício da profissão.

A AACTA foi proclamada a 14 de Dezembro de 1991 e conta com 120 membros filiados, que objectivam atingir níveis de desenvolvimento e sustentabilidade com   referências positivas no contexto nacional e internacional, em termos de segurança na navegação aérea. No exercício das funções, o controlador assume literalmente a navegação da aeronave, transmitindo instruções de velocidade, proa e altitudes a serem observadas pelo piloto, com o objectivo de evitar acidentes por colisões entre aviões ou entre aeronaves e outros obstáculos.

Segundo especialistas, além da segurança dos passageiros e tripulantes, a actuação do controlador, seja adequada ou inadequada, pode significar, respectivamente, economia ou prejuízo para as companhias aéreas e para a aviação geral (civil e militar). A responsabilidade destes tornase maior pelo facto de o avião deixar de ser um transporte somente de pessoas a passeio, transformando- se no mais importante meio de transporte. Pois as crises do sector aéreo podem afectar a vida política, comercial e social de um país.

Origem da efeméride

  A data foi institucionalizada devido a um decreto da sentença de morte contra um controlador considerado culpado de um acidente de aviação ocorrido em 1978, em Zagreb (Croácia), aquando da colisão de duas aeronaves, provocando a morte de cerca de duas centenas de pessoas.

Na altura, os peritos concluíram que uma das causas do acidente foi erro humano, devido às péssimas condições de trabalho dos controladores de tráfego aéreo.

Desde então, este dia tem sido de deferências e homenagens a esses profissionais, em reconhecimento aos serviços prestados continuamente em prol da actividade aérea, cuja história da aviação civil em Angola começou em 1918, com o sobrevoo de dois aviões em parte do território.

Angop

 

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