Reunião do Comité de Politica Monetária esta semana gera expectativas no mercado

No âmbito do seguimento e avaliação permanente da evolução dos indicadores dos mercados, monetário e cambial, o Conselho de Administração do Banco Nacional de Angola convocou uma sessão extraordinária do seu Comité de Política Monetária, a ter lugar, Quarta-feira, 23 do mês em curso.

André Mussamo

Segundo uma nota publicada no site do BNA, a reunião desta semana vem a propósito da “adequação das medidas e instrumentos de política monetária e cambial”, pelo que no final do encontro de Quarta-feira o Banco Nacional de Angola promete “publicar um comunicado resumindo as principais conclusões, assim como medidas de política a serem implementadas a curto prazo”.

O Banco Nacional de Angola, como banco central e emissor, tem como principais funções assegurar a preservação do valor da moeda nacional e participar na definição das políticas monetária, financeira e cambial.

Compete ao BNA, a execução, acompanhamento e controlo das políticas monetárias, cambial e de crédito, a gestão do sistema de pagamentos e administração do meio circulante no âmbito da política económica do país. Segundo um analista que apelou ao anonimato, “a convocação do encontro, mesmo sem alarmismo, é sintoma de ocorrência de eventuais fenómenos não previstos e que precisam de ser corrigidos”.

Dentro das suas atribuições, o Comité de Politica Monetária tem um ciclo de reuniões ordinárias que vão acontecendo tal como programado, mas em caso de necessidade ele pode-se reunir de forma extraordinária.

“Não divisamos nenhuma emergência, mas a convocação do encontro parece ser consequência de alguns sinais que começam a ficar evidentes, sendo o mais claro a desvalorização acentuada do kwanza nesta ponta final do ano, que mesmo sendo um fenómeno esperado parece estar a ocorrer em ritmo anormal”, cogitou o analista.

Outra fonte contactada pelo OPAÍS refere que “o Comité de Política Monetária reúne-se em sessão ordinária bimensalmente mas em função da conjuntura pode fazê-lo em sessão extraordinária e como se nota que há muita especulação em torno da inflação, introdução de uma nova série de notas, mercado cambial instável etc., portanto justifica- se uma intervenção urgente do BNA para as medidas que se impõem”.

O Presidente da República anunciou recentemente a entrada em circulação de uma nova série da moeda nacional. Entendidos na matéria cogitam que tal medida visa “ir substituindo paulatinamente as notas antigas e melhorar a segurança das cédulas, mas também pode eventualmente haver outro motivo”.

De forma não oficial, comenta-se que uma das mudanças a ocorrer na série kwanza 2020 é a “retirada das imagens dos ex-presidentes, substituindo-as por reis e rainhas ou símbolos histórico nacionais”. Para muitos experts “o valor facial mais alto (10 mil kwanzas) é para facilitar as transacções, mas pode gerar expectativas inflacionárias nos agentes económicos”, como tem sido prática no percurso da nossa moeda a entrada em cena do habituais especuladores.

“Como haverá eventualmente aumento da massa monetária, a priori, não deve haver impacto imediato no aumento dos preços, como aquele que o IVA já criou mesmo de forma especulativa”, comentou um economista conhecedor do sector financeiro nacional. No seu discurso sobre o estado da Nação a 15 de Outubro último, o Presidente da República garantiu que prosseguem acções no domínio cambial “procurandose encontrar a taxa de câmbio de equilíbrio do mercado e aumentar os níveis de previsibilidade e de transparência do mesmo”.

Segundo o PR, foram eliminados os atrasados cambiais vindos de 2015 a 2017 e que se encontravam em posse dos bancos comerciais e pôs-se fim às listas de empresas e agentes com acesso privilegiado ao mercado cambial, na base de critérios subjectivos o que permitiu “reduzir a diferença entre o mercado informal e o paralelo de divisas, que em Dezembro de 2017 atingia 150%, agora reduzido para cerca de 35%.

“No mercado cambial, assiste-se em 2019 a uma depreciação mais branda da moeda nacional em relação ao dólar norte-americano, numa magnitude de 16,01%, depois de se ter registado uma depreciação de 46,23% no ano anterior”, enfatizou João Lourenço no discurso na Assembleia Nacional. Em prol da “saúde do sector financeiro” o PR anunciou ainda que está em curso o processo de revisão das leis estruturantes do Sistema Financeiro angolano, designadamente a Lei de Bases das Instituições Financeiras, do Combate ao Branqueamento de Capitais e do Financiamento ao Terrorismo, do Sistema de Pagamentos de Angola e a Lei do Banco Nacional de Angola.

Na mesma senda, está em fase de implementação a avaliação da qualidade dos activos das 13 maiores instituições financeiras bancárias do país, que representam mais de 90% do total dos activos do Sistema Financeiro angolano, assegurou o PR. “Trata-se de um exercício de reconhecida importância técnica para o negócio bancário, que visa estimar possíveis necessidades de recapitalização, tendo em vista o reforço da estabilidade financeira e a protecção dos interesses dos depositantes, bem como voltar a dotar os bancos de capacidade de financiar a economia” disse o Presidente da República a concluir a menção da série de medidas em curso no sector.

 

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