Desistência de voluntários condiciona campanha de vacinação da pólio

Comissões de moradores não se solidarizaram com a campanha de vacinação da pólio, muitos dos voluntários desistiram de participar na actividade porque esperavam ser compensados financeiramente pelo trabalho, revelou, ontem, a coordenadora provincial de Luanda do Programa Alargado de Vacinação, Felismina Neto

Na actual campanha, a cifra de crianças imunizadas contra a poliomielite está muito abaixo da preconizada. De acordo com a gestora sanitária, atingiram somente 39 % durante os três dias de campanha de vacinação a nível da capital do país, o que levou a que se acrescesse mais dois dias. Esse prolongamento, que teve a aprovação da Organização Mundial da Saúde (OMS), visa possibilitar que mais crianças sejam vacinadas até hoje. Segundo Felismina Neto, em função da desistência dos voluntários, a coordenação do programa esteve muito longe de atingir os objectivos de pelo menos 95% da meta de forma homogénea.

Considerando que a estratégia é de base comunitária, onde a participação de moradores como responsáveis máximos da comunidade seria o suporte para actividade, “mas, infelizmente, grande parte deles ansiavam serem pagos pelo serviço”. “Actividade do género que envolve massas não tem suporte financeiro para custear as despesas. Tanto no período em que não se registava crise financeira como actualmente, não há valores monetários para pagar os voluntários”, frisou Felismina Neto. Esclareceu que vacinar em massa é um acto de cidadania, pelo que, apela ao bom senso das pessoas, designadamente os vacinadores, registadores e mobilizadores. Todos eles foram recrutados localmente, tinham a missão de fazer o mapeamento de todas as crianças das suas comunidades atempadamente, no sentido de que no dia do arranque da campanha não se registasse dificuldade em vacinálas nas respectivas casas. O processo teve um corte nos mais variados níveis, nomeadamente coordenação, supervisão e vacinador, o que originou o insucesso.

Pelo facto, a OMS orientou que se aplicasse um plano B, que consiste no prolongamento da campanha. Para a execução do mesmo, foram recrutados alunos da escola técnica.

De acordo com Felismina Neto, é possível interromper a circulação do vírus da pólio no seio das comunidades vacinando todas as crianças. Se assim não ocorrer, a campanha continuará a decorrer até atingir a meta, que é vacinar dois milhões de crianças com idades compreendidas entre os zeros e os cinco anos. Sublinhou que esta é a primeira etapa de três, sendo a actual a roda zero, a próxima etapa irá de 1 a 3 de Novembro e a última, ainda no mesmo mês, de 15 a 17. Por fim, lamentou os erros registados nesta ronda, mas garante que o objectivo preconizado será alcançado.

Entretanto, apelou às comunidades a serem solidárias aderindo às campanhas, tendo em conta que uma criança com pólio pode infectar cerca de 200 ao seu redor. “Há circulação de vírus no seio das crianças, pelo que fazendo a campanha de vacinação activa, reforçando a vacina de rotina poderemos interromper a circulação do vírus nas nossas famílias”, declarou.

 

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