Hospital Geral do Namibe assegurado por técnicos à “beira” da reforma

O Hospital Geral do Namibe, “Ngola Kimbanda”, carece de médicos e de enfermeiros para o seu pleno funcionamento e garantir assistência médica e medicamentosa aos utentes que diariamente acorrem àquela unidade sanitária

O porta-voz do Hospital Geral do Namibe, Mukuambi Sapalalo, disse recentemente, em entrevista ao jornal OPAÍS, que os serviços de assistência médica e medicamentosa nessa unidade têm sido assegurado por profissionais em idade de reforma, além de outros que ainda não atingiram essa fase.

Esta situação deve-se ao facto de a mesma contar com um número de trabalhadores em idade produtiva abaixo das suas capacidades. Mukuambi Sapalalo adiantou que a maioria dos funcionários do Hospital Ngola Kimbanda já atingiu a idade da reforma, facto que tem agravado ainda mais as dificuldades que este sector enfrenta. “Neste momento, o hospital está a funcionar com pessoas que muitas delas estão prestes a irem para a reforma.

Quase que todos os anos tem havido cinco a seis funcionários a saírem por terem atingido a idade prevista para o licenciamento à reforma, este é o grande déficit que temos”, revelou. O Hospital Geral do Nami- “Quase que todos os anos tem havido cinco a seis funcionários a saírem por terem atingido a idade prevista para o licenciamento à reforma” Hospital Geral do Namibe be tem capacidade para internar um total de 200 pacientes com diversas patologias, para igual número de camas, sendo que diariamente acorrem a essa unidade cerca de 120 pacientes. De realçar que a mesma conta com 23 médicos e 272 enfermeiros.

Para o porta-voz do Hospital Ngola Kimbanda, este número de médicos e enfermeiros ainda é irrisório, tendo em conta a afluência diária de pacientes vindos dos cinco municípios que compõem a província do Namibe. Mukuambi Sapalalo defende a contratação de mais quadros para garantir o seu integral funcionamento. “Para o seu funcionamento em pleno, garantir uma assistência médica em todo o tempo, o Hospital Geral do Namibe, precisa de pelo menos de 450 a 460 trabalhadores, entre médicos, enfermeiros, técnicos de laboratórios e pessoal administrativo”, revelou.

Tuberculose e VIH “tiram sono” às autoridades sanitárias

O porta-voz do Hospital Geral do Namibe revelou que entre as mais diversas doenças que preocupam as autoridades sanitárias da província figuram a Tuberculose seguida do VIH/SIDA. Sem adiantar a quantidade de assistidos, o responsável informou que as pessoas que padecem desta doença são atendidas no Hospital Geral do Namibe e os casos mais complicados, são encaminhados ao Hospital Sanatório da cidade de Moçâmedes. Mukuambi Sapalalo adiantou que os casos de morte que se tem registado na província por Tuberculose devem-se ao facto de muitos pacientes abandonarem o tratamento. “O abandono do tratamento é uma das maiores preocupações das autoridades sanitárias, porque doentes há que depois do seu segundo mês de tratamento sentem-se bem, a tosse desaparece e acham que estão curados, e abandonam o tratamento”, frisou.

Acrescentou de seguida que os pacientes nestes casos “voltam a consumir bebidas alcoólicas, não se alimentam bem e regressam ao hospital com a doença em estado bastante avançado, terminando, às vezes, em óbito”. Relactivamente ao VIH/ SIDA, o nosso interlocutor, informou que diariamente são registados, no Centro de Aconselhamento e Teste Voluntario, um a dois casos positivos da doença, que são previamente internados. Segundo Mukuambi Sapalalo, de Janeiro a Outubro foram registados, só na cidade da Moçâmedes, cerca de 50 casos de VIH/ SiDA e muitos pacientes também abandonam o tratamento.

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