Perda de dinheiro

Trezentas e 87 mil cabeças de gado bovino, das 472 mil concentradas nas zonas de transumância da província do Cunene, estão sem ser vacinadas desde o princípio deste mês, contra várias doenças, devido à falta de vacinas na região. Portanto, um problema mais, a somar aos outros, muitos, que a região enfrenta. Falta água, falta pasto, e agora falta vacinas. Está tudo desenhado e encaminhado para a redução drástica do efectivo animal na região, e sem proveito. Fala-se sobre a seca, sobre salvar pessoas, o que é acertado, mobilizou-se a sociedade de todo o país para ajudar com o que pudesse, cada um deu até onde pôde, água, bens alimentares não perecíveis, roupa e dinheiro. E isto em tempo de grande crise económica. Havia que olhar-se também para os animais, e o Estado comprou feno, abriu furos para encontrar água, não se pode dizer que nada foi feito, apesar das grandes perdas. Mas haveria que olhar-se também para o mercado, para o amanhã, para a capitalização das vítimas da seca, e, como se diz, haveria que aproveitar-se a crise para somar mais-valias. E aí, sim, não houve notícias sobre um bom plano para colocar a carne no mercado antes que se perdesse, vacinando-a, colocando em quarentena alguns animais, pagando bem aos criadores para que pudessem recomeçar quando as condições melhorassem. E poupava-se parte dos quatrocentos milhões de dólares que custa a carne importada todos os anos.

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