Grupo etnolinguístico Côkwe utiliza “Fole” (Mwanze) na fundição do ferro

A peça exposta no Museu de Antropologia é feita a partir de um tronco de árvore, escavado no seu interior e, utilizada essencialmente pelos ferreiros

No quadro do seu desígnio denominado “A peça do mês”, o Museu Nacional de Antropologia expôs nas suas instalações, na baixa da cidade capital, a peça “Fole” (Mwanze), utilizado na fundição do ferro.

O fragmento pertence ao grupo etnolinguístico Côkwe e é feito a partir de um tronco de árvore, escavado no seu interior, deixando duas aberturas que partem de uma base, com a forma de um recipiente. Essas aberturas são cobertas com uma bolsa de pele amaciadas de cabra e sobre ela duas varas de madeira presas.

Como utilizar

A referida peça é essencialmente utilizada pelos ferreiros e, também, é designada por “Fole-tambor”. Consta que actua pela rectaguarda do forno, através de um orifício, onde aplicam um colector de ar de barro cozido. Para a fabricação dos instrumentos, as aberturas do “Fole” são colocadas a uns centímetros de distância do fogo. A peça exposta no Museu de Antropologia é feita a partir de um tronco de árvore, escavado no seu interior e, utilizada essencialmente pelos ferreiros

 

Quando esta atinge altas temperaturas, o ferro avermelhado e com tonalidade amarela é retirado e moldado com bigornas (utensílio feito de aço), resultando daí objectos e instrumentos necessários para a vida quotidiana da população (agricultores, pescadores, caçadores e outras). De acordo com as pesquisas realizadas pelo Departamento de Investigação Cientifica do museu, em quase todos os grupos etnolinguísticos do país, desde os Bantu, há vestígios da existência ou fabricação de “Foles “ ou “sufladores”. Por este facto, foi constatado que as populações angolanas vêm exercendo o trabalho de fundição de metais, desde épocas remotas. É de salientar que a actividade tradicional do ferro em Angola, mostra ter estado sempre ligado a ideias ‘mágico-religiosas’.

Rituais

Existem certos tabús sagrados, em torno deste trabalho. Neste contexto, é indispensável que, principalmente, o mestre fundidor esteja investido de poderes sobrenaturais, ou seja, ele assume carácter sacerdotal. Por outro lado, nem todos os homens podem explorar o minério de que resulta o ferro e muito menos serem fundidores do mesmo, mas somente aqueles a quem a autoridade tradicional e seus conselheiros indicam. Entre os Côkwe, para a obtenção do ferro, o processo começa pela construção do forno, segue-se a exploração do minério, que será fundido a elevadas temperaturas. O ferro, já em estado sólido, é levado ao Pole para ser transformado pelo ferreiro em variedades de instrumentos e utensílios

Peça do mês

O projecto desenvolvido desde 2016 tem como objectivo divulgar as peças existentes no museu, bem como propagar à sociedade a sua importância como património cultural e nacional, função social, discrição, origem e cativar os cidadãos a visitarem o espaço. Foram várias as peças expostas desde o seu arranque, como o “Kikondi”, “Mulondo” e “Cihongo” (Txihongo), “Kijinga”, Heholo”, “Mintadi, Mufuka”, “Mukwale” e “Onga“, de diversas regiões do país.

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