Netas de Zé Keno dão continuidade ao seu legado

Em 2017, Zé Keno, considerado um emblemático artista e protagonista da trajectória dos Jovens do Prenda, partiu do mundo dos vivos, deixando um vazio para aqueles que apreciavam a sua arte. Entretanto, as suas netas, Judeth e Ester, com vozes que têm “cortado” o suspiro de quem as escuta, almejam continuar com o legado do avô

Judeth, de 12 anos, e Ester Santos, de 17, são duas irmãs cantoras. Este dom é fruto da árvore geneológica de uma família de músicos. Conta a mãe que os bisavôs maternos das pequenas estrelas eram cantores. O avó, Zé Keno, dos Jovens do Prenda, também cantava, tendo dona Ana Santos, mãe das meninas, herdado o talento do pai. O facto interessante é que dona Ana casou-se com Mário Santos, também cantor, o que se alastrou até aos seus filhos, incluindo o caçula, Judá, de 6 anitos. Mas as pequenas estrelas não souberam desde então que tinham pegado o “bichinho da música”. Com Judeth, o facto veio à tona aos seus 2 anitos, quando o pai lhe pediu para entoar uma canção e percebeu que ela o fazia afinadamente. Com a mais velha, Ester, sem precisar o ano, o bicho da música foi-se descortinando despercebidamente. As adolescentes passaram então, com as suas vozes, a contribuir para o abrilhantamento do grupo coral da Maná, igreja a que se tinham agregado. Os seus pais, com receio de que o talento das filhas se perdesse no tempo e no espaço, matricularamnas no Espaço Aplausos, um centro cultural, sito no Sequele, onde as mesmas aprenderam a cantar profissionalmente. Actualmente, revelaram, estão em fase transitória para um outro nível.

Trabalhos

Os pequenos asteróides– dominantes das vozes soprano, tenor, contralto e mezzo, um estilo vocal intermediário entre o contralto e o soprano –, fazem cover’s, além de já terem duas músicas gravadas: “Papá Vua Diami”, canção em que lamentam a morte do avô, Zé Keno, e “Mbirimbirim”, as duas idealizadas pelo pai, Mário Santos. Conscientes do trabalho que terão de desempenhar, as meninas sonham em ser cantoras reconhecidas ao nível nacional, bem como poder levar o nome de Angola para os quatro cantos do mundo.

Falta de patrocínio

As “borboletas” têm apenas duas músicas gravadas. Seria diferente se tivessem um contrato com uma produtora. Mas elas continuarão a gravar, “dependendo das nossas condições financeiras. A falta de patrocínio é um dos problemas que temos enfrentado. E caso tivessem, até vídeo-clipes lançaríamos”, frisou a mãe, depositando confiança nas filhas.

Música Infantil em Angola

Dentre a ambição das “borboletas”, consta a de mudar o actual quadro da Música Infantil em Angola, que para elas, é péssimo. “Gostaríamos de contribuir para o engrandecimento da música infantil, a qual acho muito pobre. Quero, com a minha maneira de cantar, inspirar outras crianças a fazerem o mesmo. Quero também passar a dar workshops sobre canto a outras crianças”, manifestou essa iniciativa a mais nova Judeth, alegremente. Judeth, inconformada com a o número reduzido de pessoas que cantem para crianças, sempre que pode, já tem instruído musicalmente outros “baixinhos”. “A música infantil no nosso país é muito fraca.

E, algo que muito me preocupa, é o facto de que por se tratar de música infantil, não cantarem com algum rigor. Se seguíssemos o exemplo da Disney que, apesar de produzir músicas que sejam para crianças, as faz com bastante responsabilidade, isto é, com bons acordes, melodias e ajustes, seria melhor”, lamentou Ester, deixando a garantia de que vai trabalhar para que as crianças angolanas tenham música de qualidade.

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