PRS diz-se preparado para vencer eleições autárquicas em 2020

Benedito quer que a Assembleia Nacional aprove já, em definitivo, o pacote legislativo que vai suportar estas eleições

O presidente do Partido de Renovação Social (PRS), Benedito Daniel, assegurou ontem, em Luanda, que a força política que dirige tem estado a preparar- se em todo país para ganhar o maior número possível dos municípios nas eleições autárquicas de 2020 Benedito Daniel fez esta afirmação num conferência de imprensa que serviu para fazer o balanço de cinco dias de visita de trabalho efectuada à província da Lunda-Norte, de 10 a 14 deste mês, para constatar no terreno a situação sócio-económica das populações.

Segundo o político, o seu partido tem vindo a preparar-se afincadamente para ganhar o maior número possível dos municípios, mas não explicou em que circunstâncias se está a preparar. Para concretizar este propósito, o líder do PRS defende a aprovação definitiva do pacote eleitoral, e apelou ao Grupo Parlamentar do MPLA mais flexibilidade nesta matéria. Reiterou que o seu partido é pela realização de eleições autárquicas globais, em vez do modelo geográfico defendido pelo MPLA, partido no poder. “Vamos dar o direito do povo decidir sobre quem vai governar localmente para permitir a resolução dos problemas locais o mais célere possível”, afirmou. Sugeriu que se deixe o orgulho partidário e “Façamos com que todos os angolanos participem nas eleições autárquicas, assim como tem sido nas eleições gerais”, reforçou o também deputado.

Discurso sobre o Estado da Nação

Benedito Daniel deplorou o facto de o Presidente da República, João Lourenço, não ter feito qualquer menção à realização das autarquias, aprazadas para 2020, no seu discurso sobre o estado da nação proferido na passa da Terça-feira dia 15, na Assembleia Nacional. Recordou que no ano passado, no discurso à nação, João Lourenço havia levantado duas teses, uma que defendia o gradualismo territorial ou geográfico e a outra sobre o gradualismo funcional, consagrado na Constituição da República de Angola (CRA), “Um ano depois, os cidadãos precisam ouvir do Presidente da República qual delas permanece e como estamos em termos de preparação do calendário eleitoral sobre as autarquias”, avançou.

Situação precária nas Lundas

Sobre a situação sócio-económica da província, Benedito Daniel manifestou-se preocupado, tendo em conta que as condições de vida nas Lundas são precárias em todos os domínios. Para reverter, alerta ao Governo de modo a encontrar soluções imediatas para que se possa garantir os direitos humanos que estão a ser violados de forma sistemática por quem deveria protegê- los. Para o político, desde que passaram as operações “Resgate e Transparência”, a vida social da população na Lunda-Norte e na Lunda -Sul agravou-se, sobretudo nas localidades onde se explora diamantes, nomeadamente Calonda e Cuango. “Os angolanos precisam de ser tratados de igual modo, como está consagrado na Constituição da República de Angola, e ninguém deve estar contente nem calado quando vê os seus compatriotas a morrer”, disse o responsável. De entre as várias situações precárias, apontou a falta de registo civil e do Bilhete de Identidade da maior parte dos cidadãos, e o desemprego, realçando que as minas de diamantes junto das aldeias não empregam os cidadãos destas, preferindo mãode- obra barata de outras áreas. Disse ainda não existirem serviços de Saúde e a população recorre à vizinha República Democrática do Congo(RDC) para tratamento médico.

Estradas e controlos

Na conferência de imprensa, Benedito Daniel deplorou o estado avançado de degradação das estradas, bem como o excesso de controlos de empresas privadas de que estão a explorar os diamantes.

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