“Responde tu”

O Ministério da Economia e Planeamento realiza Quarta e Quinta-feira um workshop de auscultação e recolha de contributos da sociedade civil e do sector privado para “análise profunda das causas da economia informal”. Ou seja, o Governo pergunta à sociedade sobre quais são as causas da zunga, das cantinas sem registo, dos biscatos sem inscrição na Segurança Social e nas Finanças, dos mercaditos que se multiplicam em toda a parte, da moamba que vai do Brasil ao Vietname e ainda da alimentação em divisas das kínguilas por agentes bancários e por membros do Executivo. E a resposta, do meu ponto de vista, é uma única para o Governo: “responde tu”. O Governo tem de saber as respostas aos factos de não proporcionar creches e educação pré-escolar e depois a instrução escolar para todos. Tem de saber por que a formação profissional ainda não é abrangente. Tem a obrigação de saber as razões para que os bancos não disponibilizem crédito à economia. Deve saber o que se passa e as consequências de milhares e milhares de cidadãos não terem sequer o Bilhete de Identidade. O Governo, mais do que ninguém, deve responder sobre a morosidade na constituição e legalização de empresas, incluindo aqui o direito de superfície para a exploração agrária. A alta tributação, a corrupção dos fiscais e inspectores da actividade económica também devem ser explicadas pelo Governo. No fim disto tudo, quem mais perde é o Estado. Milhões e milhões circulam sem controlo, se registo, todos os dias. O Governo não deveria dormir, formaçozar a economia deve ser prioridade absoluta do Estado, se é que o estado quer sobreviver. Mas se o Executivo ainda não tem as respostas sobre as causas da economia informal, então estamos muito mal.

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