Turquia retomará ataque na Síria se EUA não cumprirem promessas, diz Erdogan

Centenas de forças curdas continuam próximas da fronteira nordeste da Síria, apesar de uma trégua mediada pelos Estados Unidos que exige a retirada, e a Turquia pode retomar uma ofensiva na área quando o cessar- fogo terminar, disse o presidente turco, Tayyip Erdogan.

A trégua de cinco dias na ofensiva da Turquia, que visa permitir a retirada de combatentes curdos da milícia YPG da área de fronteira, acaba às 22 horas locais desta Terça-feira.

A Turquia diz que as forças curdas da YPG, que vê como terroristas por causa dos seus laços com militantes curdos envolvidos numa insurgência no sudeste turco, precisam sair de uma “zona segura” que quer estabelecer dentro da Síria. “A retirada continua”, disse Erdogan a repórteres no aeroporto de Ancara antes de voar para a Rússia para conversar com o presidente Vladimir Putin a respeito da Síria.

“De acordo com a informação que recebi do meu ministro da Defesa, estamos a falar de cerca de 700-800 que já se retiraram, e o resto, cerca de 1.200-1.300, continuam a se retirar. Foi dito que eles se retirarão”, disse Erdogan. “Todos terão que sair, o processo não terminará antes de saírem”.

A Turquia iniciou a sua operação na fronteira há quase duas semanas, na esteira da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de recolher as tropas do seu país do norte da Síria. A debandada norte-americana da Síria foi criticada por parlamentares dos EUA, inclusive alguns dos colegas republicanos de Trump, por ser vista como uma traição aos aliados curdos que ajudaram Washington a combater o Estado Islâmico em solo sírio.

Na Segunda-feira, Trump disse que parecia que a pausa de cinco dias estava a ser respeitada, apesar de alguns confrontos, e que havia a possibilidade de ir além do prazo desta Terça-feira, mas Erdogan disse que os combates podem recomeçar. “Se as promessas que nos foram feitas pela América não forem cumpridas, continuaremos a nossa operação de onde a interrompemos, desta vez com uma determinação muito maior”, afirmou.

Ancara diz querer criar uma “zona segura” ao longo de 440 quilómetros da fronteira com o nordeste da Síria, mas até agora o seu ataque se concentrou em Ras al Ain e Tel Abyad, duas cidades fronteiriças no centro dessa faixa a cerca de 120 quilómetros de distância uma da outra.

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