Cimeiras “ao molho”

Dir-me-ão sempre que são importantes, e eu até entendo, mas não gosto, não tenho simpatias por estes fóruns “país X – África toda”. Para mim, é mais interessante o formato de blocos, como o “União Europeia – África”, que até deveria ser “União Europeia – União Africana”, como o “União Europeia – Mercosul”. Não me agrada ver cinquenta líderes africanos ora a serem recebidos em bloco em Washington, ora em Tóquio, Pequim e agora em Sochi, na Rússia. E, pior ainda, todos em busca de dinheiro, cada um a tentar sacar o seu quinhão. Destas cimeiras resultam sempre promessas de apoio ao desenvolvimento que não vem, mas os recursos africanos continuam a ser drenados. Compreendo melhor os encontros bilaterais, cada um a defender a sua dama. Mais ainda quando se nota que para estas cimeiras “ao molho” os africanos não vão concertados, não há uma estratégia comum, uma posição única. Se assim fosse, o continente estaria muito melhor. Mas não, vão disputar o dinheiro com que são acenados. Angola ou a República Democrática do Congo, por exemplo, têm tantos recursos naturais, e tão importantes, que, sim, estes dois países poderiam convidar as grades potências para uma cimeira também. Imaginemos o encontro, em Luanda, “Angola – G7”. Faria sentido também. Temos recursos naturais de que eles precisam e que disputam e esta disputa poderia ser canalizada em nosso proveito, ditaríamos também as nossas condições. E aí, seria mais fácil o nosso desenvolvimento.

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