Gabriel O Pensador falou a OPAÍS sobre o poder da música no actual contexto político brasileiro

O rapper encontrase em Angola pela terceira vez, desde Terça-feira, 22, para, neste Sábado, actuar no Oktoberfest, concerto em que está como cabeça de cartaz

Orapper, compositor e escritor brasileiro Gabriel O Pensador considerou, recentemente, em Luanda, a música no actual contexto político brasileiro uma importante ferramenta revolucionária. Para si, a música, de modo geral, tem dado voz às pessoas e levado muitos a reflectirem sobre as facetas por que o Brasil passa. Pensador sempre viu a música como uma ferramenta de manifestação, mas foi o rap, instintivamente, conforme conta, o estilo que mais lhe chamou a atenção, pelo facto de lhe dar a liberdade de compor letras directas e por ter uma linguagem muito forte. Entretanto, o papel do rap hoje, como desde sempre, é o de rejeitar a censura, a opressão ou o de, ainda, não permitir que o povo seja submisso a manipulações do Governo. No que concerne aos discursos sobre a ditadura militar do actual Governo, mostrou-se descontente. “É vergonhoso o Governo estar a fazer elogios a época da ditadura. Temos de rejeitar qualquer tipo de lembrança da ditadura com esse tom elogioso. Na época, vários artistas foram realmente impedidos de gravar e de pôr as suas peças de teatro em cartaz. Hoje ainda há censura, só que de uma maneira diferente”. Apesar de o Governo estar a cortar o apoio a alguns artistas, referiu que com as ferramentas que existem hoje em dia, como é o caso da Internet, este acto tornou- se mais difícil.

O Brasil, o desmatamento e o aquecimento global

No que toca ao desmatamento e aquecimento global, o compositor, amigo da natureza, defende que o seu país deve ter um posicionamento exemplar, por ter muitas riquezas naturais, além da Amazónia, e uma costa imensa, que, actualmente, está a ser fustigada com a constante estagnação de óleo. Por outro lado, lamentou que o facto supracitado decorra da impunidade histórica brasileira com as grandes empresas, que têm cometido crimes ambientais como vazar óleo e lama tóxica. Revela que o povo brasileiro tem torcido para que isso diminua a cada Governo. “Filmamos no- Namibe durante uns dias e agora vamos filmar no Cabo Ledo. Então, vai ser bem interessante um documentário sobre Angola, com umas cenas de Portugal”

Documentário sobre o surf em Angola com emissão no Brasil

Gabriel revelou que no Sábado inicia a segunda fase da gravação de um documentário sobre o surf em Angola, que será emitido no canal brasileiro desportivo “Woohoo”, a partir de Novembro ou Dezembro. “Filmamos no Namibe durante uns dias e agora vamos filmar no Cabo Ledo. Então, vai ser bem interessante um documentário sobre Angola, com umas cenas de Portugal”, acrescentou.

Lembranças de Angola

Quando se lembra de Angola, fá-lo com muito orgulho, pois, disse que os brasileiros têm a herança cultural angolana no seu sangue, isso desde a época que o Brasil ainda era colónia. “Com muita clareza, naquela altura eu já voltei pro Brasil e fiz uma tatuagem do pensador angolano no ombro. Eu saí daqui com um carinho enorme pelo povo angolano e a musicalidade. Depois, vim outras vezes, fazendo shows, conhecendo mais pessoas, mais músicas”, contou.

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