Trabalhadores da Elisal novamente em greve

Depois da paralisação em Agosto do corrente ano, os trabalhadores da Elisal voltam à greve, segundo Ventura Luciano, primeiro secretário sindical, em entrevista ao Jornal OPAÍS. A greve tem início nas primeiras horas de hoje e não tem data de término

Os trabalhadores da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (Elisal) paralisam os seus serviços, desde as primeiras horas desta Quinta-feira, por tempo indeterminado, para exigir melhores condições de trabalho. A decisão saiu da última Assembleia Geral de trabalhadores, na semana passada.

Apesar de terem tentado um consenso com o Governo Provincial de Luanda, uma vez que a empresa é gerida temporariamente pelo GPL, desde a exoneração do director, da reunião de ontem não transpirou decisões positivas e os trabalhadores estão decididos a avançar com a paralisação. A ideia é concentrarem-se nas instalações da Filda nas primeiras horas do dia, para exigirem melhores condições de trabalho. Ventura Luciano, o primeiro secretário da comissão sindical da Elisal, disse que o problema dos trabalhadores desta empresa pública tem sido crónico e há bastante tempo que esperam por melhorias.

“A reunião de ontem, com o GPL, não serviu para nada, senão terem a certeza da paralisação, porque as promessas não foram feitas por escrito, o que leva-nos a crer na falta de vontade para a resolução deste problema”, aclarou. Falta de condições de trabalhão, falta de boa assistência médica e medicamentosa e salários não pagos pontualmente são os principais motivos desta paralisação que hoje começa e não tem data de término. “Só para ter noção, senhor jornalista, nós não temos no centro médico da empresa sequer um paracetamol”, lamentou. Aqueles trabalhadores, segundo o entrevistado, colocam diariamente a vida em risco, por lidarem com o lixo, e a assistência médica e medicamentosa da empresa não é das melhores.

Este problema é antigo e estão cansados de receber promessas da sua resolução, que não são cumpridas. Neste ano, esta é a segunda paralisação registada na Elisal. A primeira foi em Agosto, numa decisão que surgiu em função do facto de a então direcção da Elisal ter a pretensão de liquidar apenas a dívida dos ordenados do mês de Junho, violando um dos pontos constantes no caderno reivindicativo.

Os sucessivos atrasos salariais estavam na base da decisão de paralisarem o trabalho, por isso, os trabalhadores foram unânimes em decretar a greve, já que a entidade empregadora decidiu pagar apenas um mês e não dois, como se exigiam. Quando decretam greve, os trabalhadores paralisaram os serviços de varredura, recolha e depósito do lixo no aterro sanitário dos Mulenvos, até que se resolva o problema.

A Elisal tem responsabilidades atribuídas para a manutenção do aterro, assistência técnica aos municípios, bem como a operação na limpeza e recolha dos resíduos sólidos no município do Cazenga. No dia 30 de Julho de 2019 o Conselho de Administração da Elisal-EP foi exonerado, criando- se uma comissão de gestão coordenada pela vice-governadora para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Elisabeth Rafael.

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