Situação difícil dos cidadãos pode gerar convulsão social e politica, alerta bispo de Benguela

De forma a impedir futuras convulsões, Dom António Jaka instou o Governo a trabalhar para a inversão do actual quadro

Por:Constantino Eduardo, em Benguela

O bispo da Diocese de Benguela, Dom António Jaka, disse que o encarecimento da vida dos cidadãos, alimentado pela subida vertiginosa dos preços de bens e serviços, pode causar convulsão social e política no país. De forma a impedir futuras convulsões, o prelado instou o Governo a trabalhar para a inversão do actual quadro.

Dom António Jaka, que falava em entrevista à rádio Ecclésia, apontou a subida de preços dos produtos básicos, agravada com a entrada em vigor do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e a seca que se regista no Sul de Angola como factores que poderão suscitar no país convulsões sociais. O prelado católico denúncia haver, por parte de agentes comerciais, aproveitamento com a entrada em vigor do IVA, a 1 de Outubro deste ano, para inflaccionar os preços de determinados bens. De acordo com o prelado, as autoridades governativas não estarão a ser suficientemente capazes de conter a onda de especulações de preços, razão por que apela aos órgãos do Estado para que redobrem as acções inspectivas, a fim de que o cidadão não seja uma vez mais prejudicado. “É preciso que as pessoas aprendam a cumprir as normas.

A ganância não é algo que deve ser promovido”, disse, justificando, contudo, que o espírito de “ganância” já terá causado muito mal ao país, citando como exemplo o facto de determinados governantes se terem aproveitado do erário para, alegadamente, se enriquecerem ilícitamente. “É importante que o Estado exerça a sua autoridade, para que as normas sejam cumpridas. O IVA não deve ser motivo para fazer com que a vida encareça ainda mais”, frisou.

O prelado entende que ao Governo caberá trabalhar no sentido de que esse importante imposto para a vida financeira do país, recentemente implementado, cumpra rigorosamente os objectivos para os quais as autoridades fiscais o conceberam, que passam, necessariamente, pela arrecadação de receitas para o Estado. “E as receitas arrecadadas possam reverter-se para acção social para os pobres, população que sofre por falta de estruturas de ensino e de saúde”, apontou.

Atento aos problemas sociais da população, Dom António Jaka considera imperioso que todas as forças vivas da sociedade se envolvam para se inverter a actual crise que afecta milhares de famílias, a começar pelo repatriamento de capitais, de modo a que com tais recursos – retirados lícita ou ilicitamente do país, possam criar empregos. “Quando houver esta solidariedade toda, Angola vai vencer esta crise. Nós temos capacidade de a vencer, mas é preciso que haja compromisso com a pátria”, defendeu.

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