Maka estrutural

Ou os problemas da nossa economia são estruturais, e temos de os enfrentar com esta ideia no pensamento, ou a nossa incapacidade de os resolver é que é estrutural, e aí o problema é bem mais sério. A verdade é que somos um país que dificilmente poderá apontar um problema social que tenha dado como “erradicado”. A guerra, com as suas implicações económicas de longo prazo, é outra maka, felizmente ultrapassada, pelo menos na sua versão quente. Olhando para os nossos dias, ao que parece, a nossa incapacidade de resolução de problemas económicos até será “eliminada”, com o reforço “ditatorial” do FMI. Mas que vai doer ainda mais. Não sei se feliz ou infelizmente, mas as cabeças pensadoras de cá, depois do acordo, são menos determinantes, ou nada, nas decisões económicas, há sempre as balizas do Fundo. Por isso, as explicações do governador do BNA, por muito que xinguile, e as trocas de ministros das Finanças ou da Economia pouco aquecem ou arrefecem. Contudo, o Governo tem de optar, ou alinha com os ditames do Fundo e impõe ordem mínima, ou é apanhado no jogo dos especuladores, que não são gente qualquer, e isto rebenta. Portugal, por exemplo, está a pagar adiantado, e mais barato, o resgate ao FMI e União Europeia, o segredo é simples: exporta, faz dinheiro. Nós não, podemos até ser bons alunos e decorar a lição, mas com que dinheiro iremos pagar? Este país não produz. E para financiar a economia terá de usar o petróleo, cuja produção caiu e as vendas dão para pouco. É duro dizê- lo, mas temos de rezar que falte petróleo no mercado e os preços subam, talvez uma guerra nas Arábias (pensamento feio, mas realista). Ou, se calhar, temos os dois, gerando cada um deles o outro: problemas estruturais na economia e incapacidade estrutural de os resolver. É desesperante, mas ainda não vimos nada.

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