Mercado informal absorve acima dos 75 por cento da população

O Governo juntou os diferentes parceiros para colher contribuições sobre o fenómeno do mercado informal, com base na implementação do Programa de Reconversão da Economia Informal (PREI)

Por:Norberto Sateco

Mais de 75 por cento da população angolana está dedicada ao mercado informal da nossa economia, avançou estes dados a consultora económica Sonia Melo, ontem, durante a apresentação do diagnóstico preliminar e caracterização do emprego e da economia informal. A especialista denota haver exiguidade de dados públicos concretos, que possam permitir um diagnostico mais real, que facilitaria a caracterização das causas e circunstâncias da informalidade no contexto nacional, para o suporte e definição de políticas públicas.

Face a esta realidade o Ministério da Economia juntou vários parceiros para auscultar algumas das possíveis propostas para estancar o fenômeno. Segundo o secretário de Estado do Planeamento, Samahina Saúde, esta realidade tem estado a limitar o crescimento das receitas fiscais e a normalização do funcionamento dos mercados, no controlo e monitorização da economia e na receita fiscal. Em relação à situação social e as condições de vida de muitos dos agentes do mercado informal impõe-se a tomada de medidas que estejam alinhadas ao contexto social. Já o economista, Carlos Rosado de Carvalho disse entender que o problema não está no informal, mas no mercado formal, devido ao péssimo ambiente de negócio que entrava o desenvolvimento da economia.

Para ele, a informalidade decorre da necessidade, fruto de uma economia precária dificultando a criação de empregos formais. Rosado criticou os vários programas do Governo criados para passar a economia informal para a formal por pecarem na sua efectivação. “Nós temos que criar um bom ambiente de negócios em Angola, tirando o Estado daquilo que faz e deixar espaço para o sector privado”, frisou, tendo chamado a atenção para a qualidade da despesa, apontando como exemplo negativo, o bairro dos ministérios.

“Estes programas são paliativos e não vão ajudar se não melhorarmos o ambiente de negócio”, concluiu Carlos Rosado de Carvalho. Entretanto, O governo de Angola inscreveu, no âmbito do Programa Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022, o Programa de Reconversão da Economia Informal (PREI), fundamentada pela necessidade de se definir e implementar uma resposta integrada à informalidade da economia, capaz de produzir mudanças a médio prazo.

error: Content is protected !!