SECA NO SUL: o apelo à solidariedade do Cônsul Geral de Angola em Paris

Por:Ricardo Vita

Hoje, já não temos o direito de estar com fome nem de sentir frio. Acabou o cada um por si. Quando penso em ti, penso em mim. Não te prometo a grande noite, mas de comer e beber, um bocadinho de pão e calor, nos Restaurantes do Coração ». É o que diz o coro da música que popularizou a benéfica iniciativa de Coluche, um famoso humorista humanista francês que queria acabar com a fome em França. Como ele, o Cônsul Geral de Angola em Paris, o Sr. Carlitos Isabel Júnior, um homem amado e respeitado pela sua comunidade em França, por ser solícito, dedicado e humildade, considerou oportuno lançar um apelo à solidariedade dos seus compatriotas residentes neste país com as vítimas da seca no sul de Angola. Como um bom patriota, o Cônsul Júnior não faz parte daqueles que se perguntam de uma certa maneira o que o seu país faz por eles, ele faz parte daqueles que se perguntam de uma maneira certa o que eles fazem ou podem fazer por seu país. A oportuna e inédita iniciativa que lançou, que foi acolhida com entusiasmo e agrado pela comunidade e que tem gerado uma grande onda de solidariedade, porque as doações estão a chegar de todos os lados de França, tocou-me como Angolano. Também é meu dever divulgar esta boa iniciativa, para alargar a cadeia de solidariedade que deve exceder a França. Acho que todos os Angolanos, onde quer que estejam no mundo, e amigos que queiram participar nessa cadeia de solidariedade humana, podem organizarse, donde estão, para destruir a miséria na qual se encontram as populações afectadas. Pois, nesse caso, enquanto o possível não for feito, o dever não será cumprido.A miséria que atingiu os nossos irmãos no sul não deveria existir. Mas existe. Então, tudo o que nos resta é nós mesmos: toda a nossa força, toda a nossa inteligência, toda a nossa vontade. Resta-nos a alma comum de Angola. Não há pequena ou grande doação, dê o que tiver, o objectivo é que não haja nenhuma criança, nenhuma mulher e nenhum homem que não sinta a nossa solidariedade. Cada um de nós pode ajudar.Eis os factos: Segundo as Nações Unidas, cerca de 2,3 milhões de pessoas são afectadas pela seca, incluindo 500 mil crianças menores de cinco anos. As províncias envolvidas são Bié, Cunene, Huíla e Namibe. E, numa região onde a criação de gado e a produção de leite estão no centro O PAÍS Sexta-feira, 25 de Outubro de 2019 17 da economia e no estilo de vida dos habitantes, a falta de chuva destruiu culturas, matou animais e criou uma situação de insegurança alimentar e epidemias.No seu comunicado datado de 1 de Outubro, o Cônsul informou a comunidade que a campanha irá até 31 de Dezembro e que o objectivo é encher um contentor de 40 pés com bens de primeira necessidade; como alimentos não perecíveis, roupas, calçados, produtos de higiene pessoal, bidons vazios de 20 litros. Convidou a comunidade a enviar as suas doações directamente ao Consulado Geral em Paris ou às sedes das associações angolanas em todas as cidades da França. « As quantidades já recolhidas estão na ordem de um contentor de 20 pés. Mas, devido à grande aderência da comunidade, tudo indica que, pelas quantidades que continuam a chegar, poderemos obter mais do que um contentor de 40 pés.Agora a meta é chegar a dois ou mais contentores de 40 pés, até no dia 31 de Dezembro. Cuidaremos do envio até às vítimas », disse-me. Sentimos a mobilização da comunidade em toda a França. Na região de Paris, por exemplo, La Paix de l’Eternel, a experiente igreja do pastor angolano António Lusuki Tusamba, está fortemente comprometida com o sucesso desta campanha desde que soube do apelo. O pastor e a sua esposa, mana Suzana, têm mobilizado pessoas além da sua congregação e já entregaram vários pacotes ao Consulado. Já podemos dizer que a campanha está a ser conduzida pelo espírito do Ubuntu, o humanismo africano: Sou o que sou graças ao que todos somos. Parabéns ao senhor Cônsul Júnior por esta grande iniciativa e, acima de tudo, esperemos que ela seja imitada pelo mundo onde o coração vibra para Angola.

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